Rezam os números que a maioria dos visitantes que acorrem a Alcobaça são os que o fazem tendo por motivo uma visita ao seu Real Mosteiro de Santa Maria. O mesmo que é universalmente reconhecido como a primeira construção plenamente gótica erguida em solo português, tendo sido iniciada a sua construção em 1178. Erguido pela Ordem de Cister, o espaço reflete a austeridade, simplicidade geométrica e rigor professados por aquela instituição, servindo como modelo da vida espiritual, económica e autossuficiente na Idade Média. Está classificado como Património da Humanidade pela UNESCO, desde 1989.
Convém recordar este enquadramento numa época em que muitas têm sido as queixas de moradores, empresários e visitantes do centro histórico de Alcobaça, devido a alguns espetáculos levados a efeito na Praça 25 de Abril, que, bem longe de respeitarem a identidade histórica e vivencial do local, o presenteiam com performances claramente dissonantes dos referidos valores, libertando uma volumetria de som inadequada, que por vezes se prolonga até altas horas da madrugada, traves tindo aquela praça numa espécie de discoteca gigante ao ar livre e perturbando o silêncio a essas horas essencial, não apenas aos moradores, mas também aos que se acolhem nos vários hotéis, hostéis e pensões da zona.
No princípio de agosto foi entregue no nosso município um abaixo-assinado chamando novamente a atenção para o problema e pedindo que haja uma intervenção criteriosa no sentido de devolver àquela importante praça do nosso centro histórico o descanso a essas horas necessário e fundamental. Trata-se essencialmente de uma questão de programar atividades com um critério adequado às condicionantes históricas, comerciais e habitacionais do local, até porque a cidade dispõe de recintos alternativos para as levar a efeito, o que já tem sido concretizado com sucesso, nomeadamente no Estádio Municipal, na Quinta da Cova da Onça e mais recentemente no Panorama Multiusos.
Poderia ser definida para o nosso Rossio uma programação de sentido mais criterioso e cultural, reverenciando um seu legado que singularizou marcos assinaláveis no início da década de 1970, com uma encantatória atuação do Grupo de Bailados Portugueses Verde-Gaio e, mais recentemente, já em 2003, com uma não menos inesquecível apresentação da ópera Inês de Castro, de Giuseppe Persiani, num espaço histórico de eleição que em 2011 atingiu novamente os píncaros através de um sofisticado desfile de moda Inês by Storytailors, deslumbrantes exemplos que, além de não adulterarem horas de sono a ninguém, elevaram bem alto a matriz cultural de uma Alcobaça de significativo vínculo cisterciense, servindo de adequados exemplos para uma sensata e coerente mudança.





























