Silva Rebelo, na edição de 19/04/1996, do “Pórtico” publica um texto muito interessante sobre a história da Benedita, em que nos diz que o vinho da Benedita era “o nosso cartão de visita nos mercados mais próximos”.
António Sousa no seu livro refere que os vinhos beneditenses tinham pouca qualidade. A verdade deve estar entre estas duas visões. Um viticultor de Algarão chegou a ganhar um prémio num concurso de vinho do concelho de Alcobaça, há uns quarenta anos.
Pessoalmente, recordo-me do António Mateus Ferreira, vulgo “Talaxa, ter uma vinha na Goucharia. A pisa dessas uvas era feita na adega do Joaquim Neto Machado. A Benedita já tinha vinhos no século XV Por exemplo, o Abade de Alcobaça arrendou em 1439, por nove anos, a Frei Fernando de Santarém a “Hermida da Benedita, com todolas suas vinhas e pomares” (ortografia da época).
Outras referências aos vinhos da Benedita foram escritas pelo Padre Luís Cardoso no século XVIII, pelo pároco local, Manoel Correa Carneiro, em 1758 e pelo Coronel José Maria Baptista, em 1876. Na edição de 15 de Agosto de 1935 do jornal “Eco de Alcobaça”, o Padre Manuel Vicente Caetano diz-nos que a Benedita produzia “grandes quantidades de vinho”. Sabemos, também, que a Adega Cooperativa de Alcobaça, entre 1950 e 1958, tinha apenas dois sócios viticultores beneditenses. O engenheiro Joaquim Vieira Natividade refere-se ao facto de, no início do século XX, a Benedita produzia pequenas quantidades do produto. Por documentos lidos, sabe-se que na freguesia, em 1919, foram produzidos, apenas, 2.150 litros de vinho.