Igreja

Patriarca. “A boa morte não é a eutanásia”

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“O único caminho certo como seres humanos é estarmos ao lado de todos, especialmente daqueles que nesse momento precisam de ser mais acompanhados”, defende D. Manuel Clemente. O Cardeal-Patriarca de Lisboa falou a’O ALCOA no final da Semana da Caridade da vigararia Alcobaça-Nazaré, que culminou com a celebração da Missa no Mosteiro de Alcobaça, a 16 de fevereiro.
Depois da legalização da eutanásia ter sido chumbada em maio de 2018 por uma pequena margem de votos, a questão voltou ao parlamento com a votação hoje no Parlamento dos projetos-lei do PS, do BE, do PAN e do PEV, a favor do que chamam de “morte assistida” em caso de doença incurável e sofrimento duradouro e insuportável.
“Eutanásia quer dizer boa morte, mas a única boa morte não é a eutanásia no sentido corrente do termo; é que nós sejamos acompanhados ao longo de toda a existência e sobretudo naquelas alturas em que estamos mais frágeis”, afirmou D. Manuel Clemente, acrescentando que “se alguém desiste da vida não desistimos nós da vida dele”. Assim, “o único caminho certo como seres humanos é estarmos ao lado de todos, especialmente daqueles que precisam de ser mais acompanhados”. Nesse sentido, “é preciso generalizar os cuidados paliativos, mas também a nossa sociedade em conjunto se deve tornar paliativa”, aponta o Cardeal-Patriarca, esclarecendo que “paliativo vem de ‘palio’, que quer dizer aquilo que liga, que acolhe”, rematando que, “nesse sentido, todos nós devemos ser paliativos e não destrutivos uns para os outros”.
“Na forma de proporcionar bem-estar ao doente, não existe espaço para, intencionalmente, e mesmo sendo uma vontade expressa de um doente, terminar essa mesma vida”. Palavras de Pedro Capelo, médico no Centro de Saúde de Alcobaça. Para o clínico, atualmente “discute-se a legalização de um ato, sem estarem alicerçadas as ferramentas indispensáveis para uma alternativa digna, uma alternativa para que se possa oferecer a quem procura, o melhor apoio possível, as melhores condições para que a morte chegue com a dignidade merecida”, isto é, a generalização dos cuidados paliativos. Segundo o médico estes existem, “mas de uma forma frágil que, infelizmente, não chega a todos”. “Durante o curso de Medicina, aprendi que a vida é uma doença que termina com a morte; cabe-nos a nós médicos adiar o sofrimento e o dia em que a luta deixe de fazer sentido”, concluiu.

 

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Na Holanda, o primeiro e um dos cinco países do mundo em que foi legalizada a eutanásia, 1 em cada 4 pessoas que morrem é por eutanásia, com injeção letal.

 

(Saiba mais na edição impressa e digital d’O ALCOA de 20 de fevereiro de 2020)

 

 

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