Opinião

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Política e eleições

Dizia o General De Gaulle que “a política, como a vida, é um combate ao serviço dos outros”. Mas a política, como tudo na vida, tem princípios, tem pensadores esgrimindo argumentos e defendendo opções diversas. Na História do Pensamento Político e Económico os dois, três últimos séculos foram imensamente fecundos. Desde Aristóteles, e com poucas exceções de permeio, o pensamento político não avançou por aí além. Nos séculos recentes, e sobretudo depois do enorme contributo de Karl Marx, apareceram escolas para todos os gostos.
Exemplos: o grande economista inglês Keynes (1883-1946) foi acusado pelos marxistas de salvar o capitalismo, quando na verdade o que ele conseguiu foi transformar o capitalismo liberal (como o que parece termos hoje em Portugal) em capitalismo social. Além disso, derrubou dois dogmas da direita conservadora e liberal, o princípio do equilíbrio orçamental e o princípio da não intervenção do Estado na economia. Jacques Maritain (1882-1973) foi o grande renovador da doutrina social da Igreja, tendo dado um enorme contributo para o modelo social europeu, que só pôde construir-se pelas alianças do Socialismo Democrático e da Democracia Cristã. Houve também, no meio de todos estes grandes ideólogos, um cidadão austríaco, Hayek (1899-1992) que fez a defesa do neoliberalismo e criticou a ideia de Justiça Social. (Tudo leva a crer que Hayek é seguido hoje em Portugal.)
E os nossos políticos? Seguem quem? Que princípios? Que doutrina? Que escola?
Em altura de eleições, como a que acabamos de viver, é oportuno refletir sobre estas questões. Tratou-se de eleições autárquicas, é certo, por isso os candidatos deveriam ser julgados mais pelo que pareciam dispostos a servir as populações e menos pelo que pareciam inclinados a servir-se, a si e aos amigos. Logo, as ideologias esbatem-se. Para terminar com uma nota de humor, sempre me lembrarei de um político que há uns anos atrás me dizia: “Justiça para todos e favores para os amigos.”

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