Opinião

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Princípio da solidariedade

O princípio da solidariedade é o último dos seis consagrados no Compêndio da Doutrina Social da Igreja (CDSI): ele sintetiza de algum modo os restantes, e caracteriza-se também por ter uma expressão e historial próprios no mundo laico, designadamente através dos movimentos e partidos solidaristas. Com base na etimologia da palavra, bem como na história e na doutrina social da Igreja, ele pode ser definido como: a interdependência e corresponsabilidade de todas as pessoas entre si e com cada uma em particular (cf. «Pacem in Terris», de João XXIII, nº. 98, «Populorum Progressio», de Paulo VI, nºs. 5 e 43-55, «Centesimus Annus», de João Paulo II, nº. 10, «Sollicitudo Rei Socialis», também de João Paulo II, nºs. 38-40, «Laudato Si`» – sobre o Cuidado da Casa Comum – de Francisco, nº. 142, e CDSI, nºs. 192-196). Na linguagem corrente este princípio exprime-se na frase lapidar bastante conhecida: «um por todos e todos por um».
Em termos práticos, e ponderando especialmente o referido nº. 142 da L«Laudato Si`», a solidariedade implica, nomeadamente, quatro domínios de ação: (1) O conhecimento das situações de pobreza e outras de necessidade, a nível local, intermédio e nacional; (2) A entreajuda nas relações de proximidade (família, vizinhança, amizade, companheirismo…); (3) O funcionamento da economia e das instituições de ação social a favor do bem comum e de cada pessoa; e (4) A intervenção política, socioeconómica e cultural do Estado central, regional e autárquico. Cumprindo estes quatro domínios de ação, importa não perder de vista que a solidariedade se alarga, para lá do país, «à inteira família humana», construindo «uma civilização de solidariedade mundial» (cf.: D. António dos Reis Rodrigues, «Doutrina Social da Igreja – Pessoa, Sociedade e Estado», Rei dos Livros, Lisboa, 1991, pp. 132; e «Populorum Progressio», nº. 73).

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