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Quando deixaremos regressar os monges?

Estávamos em 1947 e as Edições da Propaganda Cisterciense em Portugal publicavam uma obra inédita e bastante singular da autoria de Júlio Meneses Rodrigues Ribeiro, intitulada Ressurreição de Alcobaça. O pequeno livro destinava-se a dar a conhecer aquela que foi a maior das abadias cistercienses em Portugal, e uma das maiores de toda a Europa – A Abadia de Santa Maria de Alcobaça. Numa dedicação à causa do regresso da Ordem de Cister a Portugal e objetivamente a Alcobaça, Júlio Meneses Ribeiro apresenta a sua obra como se de um tratado alcobacense se tratasse. Temos assim neste livro o testemunho de que desde a década de 40 do século passado vários são os defensores do regresso da Ordem de Cister às terras de Santa Maria, reivindicando a identidade da nossa região. Efetivamente, à parte da dimensão essencial da espiritualidade monástica e de toda uma fundamentação religiosa e pastoral, o regresso dos Monges Brancos a terras de Cister, significa para a nossa região e para o nosso país uma recuperação, não meramente religiosa, mas identitária. Ignorar a identidade de um povo é dizer que não se sabe quem é, de onde vem, nem onde se encontra. Quanto a Alcobaça há muito que se deve aos monges uma justa memória para lá de quanto se fala… Tornando ao livro gostaria de transcrever algumas das palavras do autor que nos testemunha o olhar de quem percebeu o que era o Mosteiro, não num despótico sentido tecno-económico, mas com os olhos da fé, sem complexos pseudo-sociais: “Quando veremos os monges dar vida a Alcobaça? Só Deus o sabe. Mas as dificuldades são muitas e a incompreensão do povo não é menor. Alcobaça decaiu como todas as comunidades religiosas coevas. Os escândalos, sobretudo dos grandes banquetes, espalharam-se e conservam-se na memória. Do séc. XIX para cá só se tem olhado para as máculas de Alcobaça. Os benefícios de ordem religiosa, social, agrícola, artística, literária, política, – que compensam superabundantemente as máculas, – são tendenciosamente esquecidos” (pp.46-47). Será que Júlio Meneses Ribeiro estará tão longe dos dias de hoje? E não haverá ainda lobbies desses por cá? Fica à reflexão!

Comentários (1)

  • António Pracana - 17 de Novembro de 2016, 20:39

    Tendo conhecido há relativamente poucos anos e ainda mantendo contacto frequente com Júlio Ribeiro, personagem fascinante, sei que regressou de Moçambique onde deixou uma obra notável, levada a cabo ao longo de mais de cinco décadas: Não conhecia esta sua obra sobre os monges de Cister em Portugal. Vou procurar adquiri-la.

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