A vida conta com momentos que nos deixam sem palavras. Sem chão. Apenas ressoa a dúvida em nós. Porquê? Acredito que esta terá sido uma questão a ressoar em todos nós ao contemplarmos as imagens de devastação e ao sentirmos a falta de tanto quanto estamos habituados, devido às contínuas tempestades que por nós têm passado. Na segunda-feira, 2 de fevereiro, o meu dia começou com uma chamada de telemóvel. Era uma das profissionais do nosso hospital de Alcobaça: “Senhor Padre, uma parte do teto da capela ruiu. Venha por favor!” Desloquei-me então ao espaço. Um chão cheio de estilhaços. Mas, graças a Deus, as imagens estavam intactas. E o sacrário iluminado lá estava no seu lugar. Fixei o olhar onde Cristo, o caminho, a verdade e a vida, aguarda pela nossa visita. Esvaziámos a capela e disseram-me: “É melhor levá-l’O para outro sítio”. Nada ficou. Recordei-me então das filmagens de Leiria, Marinha Grande e Ourém. Tive presente as nossas comunidades, privadas de água e luz e danificadas nos seus edifícios. E agora Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e a região de Santarém. Mas tantas outras localidades, que têm sido profundamente afetadas. Pensei: somos mesmo muito pequenos. Perante a força sem igual da natureza, somos frágeis. Ergui o sacrário para o transferir e veio à minha mente uma certeza: temos a nosso lado Aquele que, sendo o Senhor do Universo, se fez frágil como nós, para nos encher da sua força. Observei novamente os destroços da capela, que não são simplesmente sinal de destruição, mas também de apelo à renovação. Rezei: “Já que permitiste que tudo isto acontecesse, ajuda-nos agora a reerguer”. No trabalho que temos a fazer, na verdade não estamos sós. Exige-se uma atenção aos nossos edifícios. Todavia, impõe-se ainda mais o cuidado das pessoas. O caminho, a verdade e a vida vem connosco. É tempo de reconstruir. Mãos à obra.
Leia o artigo de opinião na edição 12 de fevereiro de 2026




























