Quem passa por Alcobaça…

Este é o mote da canção de Silva Tavares, imortalizada pela voz de Maria de Lurdes Resende, que serviu de cartão de visita desta terra linda que me viu nascer.
À sombra do mosteiro, olhando as vetustas pedras que interligam o religioso com o profano e recordando a história dos amores de Pedro e Inês, fui crescendo e vendo a vila crescer.
Esta era então uma vila buliçosa, à qual acorriam nacionais e estrangeiros, atraídos não só pelo aspeto cultural, como pela belíssima olaria, os vidros, a licorosa ginja e a fruta de sabor inigualável!
Então, como formigas, operários acorriam manhã cedo aos postos de trabalho, localizados no centro e nos subúrbios.
Situada na antiga estrada Lisboa–Porto, era ponto de paragem obrigatória para almoçar ou jantar, para uma ginja, ou simplesmente para comprar umas frutas. Quantas reuniões de negócios se realizaram às mesas do Restaurante Trindade, de renome nacional!
A vila então, respirava. Era amada, bem tratada e, como boa anfitriã, retribuía com a pureza de um cristal, com a frescura de
um pêssego…
“Quem passa por Alcobaça, Não passa sem lá voltar”… Que se passou? – questiono-me hoje.
Porque maltratam esta terra que é minha, a princesa das vilas de um país entristecido? Porque a promoveram a cidade pobre, esburacada, esventrada?
Onde está a sua indústria, o seu comércio fervilhante, a sua alegria? Que querem fazer dela? Matá-la? Se já está moribunda…
Ainda me resta um fio de esperança. Um ténue fio de esperança em alguém que tome as rédeas desta terra que amo e teimam condenar à perdição.
Citando Fernando Pessoa, só me resta gritar: “É HORA!”

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