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Rasoamanarivo

A 7 de setembro, durante a viagem a Moçambique, Madagáscar e República da Maurícia, o Papa fez questão de visitar o túmulo de Victoire Rasoamanarivo, uma mulher malgaxe que transformou o seu país no século XIX. Nasceu em 1848, filha de um alto funcionário e de linhagem real. Rasoamanarivo era uma encantadora menina rica, que participava no culto aos ídolos no palácio. Quando tinha 13 anos, morreu a rainha que tinha expulso os missionários e o novo rei autorizou o cristianismo. Rasoamanarivo foi uma das primeiras alunas da escola católica. Quando quis receber o Baptismo, levantou-se a oposição da família, mas Rasoamanarivo tinha uma personalidade tão forte que levou a melhor. Escolheu Victoire (Vitória) como nome de Baptismo. Com 16 anos, casam-na, contra a sua vontade, com Radriaka, o filho mais velho do Primeiro-Ministro. Parecia um excelente partido, porque Radriaka era um oficial prestigiado do exército, mas infelizmente o rapaz caiu no vício da bebida. A própria rainha e o Primeiro-Ministro, pai do marido, acharam que Victoire se devia separar, mas ela explicou-lhes: “Não sabem que o casamento cristão não se pode dissolver? Só a morte nos pode separar”. Até lá, Victoire suporta tudo, respeita-o, ama-o com imensa ternura e reza incansavelmente pela sua conversão.
Os missionários voltaram a ser expulsos durante a guerra contra os franceses. A ilha ficou sem padres e os cristãos perseguidos. Victoire jogou todo o seu prestígio na corte e conseguiu parar a perseguição. Ao mesmo tempo, percorreu o Madagáscar a dar coragem ao povo e a animá-lo na fidelidade à fé. Muitíssima gente se converteu. Quando os missionários regressaram ao país, em vez da Igreja desolada que esperavam encontrar, descobriram uma comunidade pujante, muito mais numerosa que quando os tinham expulso.
Anos mais tarde, depois de um acidente, Radriaka, o marido, chega a casa gravemente ferido e pede o Baptismo. A própria Victoire o batiza, morrendo ele pouco depois.
Quando beatificou Victoire Rasoamanarivo, o Papa João Paulo II disse “que ela vivia continuamente diante de Deus (…) Dizia: ‘Santifiquemo-nos primeiro nós mesmos; para depois nos ocuparmos dos outros’”. Deixou uma marca extraordinária na história do Madagáscar.
O Papa Francisco tem repetido esta ideia do Concílio Vaticano II de que os leigos têm de assumir a sua responsabilidade evangelizadora. Sem clericalismo. Francisco quis reservar uma parte importante da sua visita a Madagáscar para ficar longamente, em silêncio, a rezar diante do túmulo desta mulher.

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