Opinião

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Recuperar valores em 2017

A quadra natalícia propicia reflexão. Não querendo ser moralista, julgo que, ao olharmos para dentro, podemos perceber que está na altura de recuperarmos valores como amar o próximo.
Vivemos num tempo de horror. No entanto, e apesar de os ataques terroristas nos lembrarem guerras que dilaceraram países, comunidades, raças, famílias, o terrorismo hoje visto no ecrã torna-nos quase imunes à violência. Os ataques acontecem noutros lugares, tendo como protagonistas pessoas anónimas e jovens que são filhos de quem não conhecemos.
Esquecemo-nos de que também temos filhos. Esquecemo-nos de que também educamos jovens. Esquecemo-nos de que todos os dias há “ataques” nas casas de casa um. Há mulheres a morrerem vítimas de violência doméstica. Há familiares que matam familiares por causa de partilhas. Há idosos que morrem sozinhos, escondidos por biombos nos hospitais ou sem a companhia de amigos em casa. E continuamos a fomentar as relações sociais baseados no sucesso dos números – do dinheiro ou dos resultados que se obtiveram na escola. Sim, é surpreendente: é mais fácil apresentarmos aos amigos o nosso filho como sendo um caso de sucesso porque teve 19 a Matemática do que por ser uma pessoa íntegra, respeitadora, generosa. Ser o melhor na escola é mais valorizado socialmente do que ser o mais amigo, o mais solidário, o que repugna todas as formas de violência. Este nosso comportamento deriva do facto de não reconhecermos que há muitas formas de terrorismo e que ele existe perto de nós. Ou então, advém da ideia de que, como é um mal cada vez mais presente e, não sabendo nós o que fazer para o evitar, é melhor escamoteá-lo. Ignorá-lo. O fim de um ano e o princípio de outro é o tempo mais propício para olharmos à nossa volta e reconhecermos o terror, o medo, a injustiça como questões a combater com coragem. A dignidade, o não sofrimento, o conforto na vida são matérias a incluir na escola e na vida. “Amar o próximo” poderá ser o sumário.

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