No reinado de D. Maria I, quando se abriu a Estrada Real Lisboa Porto, já as Paróquias desta Rota eram habitadas, gente pobre, sobretudo as da beira serra. Os filhos desde crianças trabalhavam com os pais na terra e entregavam-lhes toda a jorna que recebiam até ao dia de casarem. Pobres casavam com pobres, remediados com remediados. Isso parecia ser natural. Suas escolhas eram as dos pais, e se se pudesse, como diz, Clementina dos Moleanos, olhavam mais para quem ‘têm torrões ao luar, era a lei da ganância’. Os filhos tinham de obedecer aos pais e casavam uns com os outros na mesma terra. Com o dinheiro recebido no dia do casamento é que se pagava a despesa: fatos, mobília, etc. Se os filhos desobedecessem era um descalabro. Havia até crimes, quer com pobres quer com ricos, como no ‘Amor de Perdição’, livro que Lucília, da Fonte da Bica, leu 4 vezes, às escondidas, à luz do candeeiro de petróleo e chorou com as apaixonadas cartas de Teresa a Simão enclausurada no convento, por ter desobedecido ao pai, que queria casá-la com o primo, apesar de Simão até ser rico, mas de uma família inimiga. Ele matou esse primo, por ciúmes. Nos Moleanos também aconteceram brigas assim. Um homem foi morto na estrada, perto de um lagar. Sonhar com um bom casamento era pensar: ‘Que tenhas casa onde caibas, e olival que não saibas!’
E como casou D. Maria I? Foi seu avô, D. João V, que lhe escolheu o seu filho Pedro, 18 anos mais velho que ela, seu tio. Em Portugal, mulher só subia ao trono, se fosse casada com um português, tão rico como ela. A tal ‘ganância’! E casar era fazer alianças políticas esse os noivos fossem parentes, pagar as licenças devidas ao Papa. Por sua vez, o filho herdeiro de D. Maria I, casou com a sua irmã mais nova, Maria Francisca, portanto sua tia. Morreu cedo e sucedeu-lhe no trono, o irmão, D. João VI, que depois de ter regressado do Rio de Janeiro trasladou o corpo de sua mãe, falecida no Brasil em 1816, para a Basílica da Estrela, monumento, por ela mandado edificar.
No Mosteiro da Batalha, na Capela do Fundador, repousa D. João I, com sua mulher, a inglesa Filipa de Lencastre, cujo enlace uniu Portugal e a Inglaterra pelo tratado de Windsor, desde 1386, um ano depois da vitória da batalha de Aljubarrota, onde muita gente ficou sem sepultura e continua a ficar noutras guerras que, infelizmente, vemos nas notícias todos os dias.