Ao longo desta Rota e muito tempo antes de existir a Estrada, que lhe dá o nome, e que depois, de nela passar a EN1 passou a ser chamada de ‘Estrada Velha’, cada comunidade sabia as suas próprias lendas e as dos vizinhos também. Do Mosteiro da Batalha, o historiador Alexandre Herculano (1810-1877) popularizou a lenda da ‘Abóbada’; em São Jorge conhece-se a lenda da bilha de água e em Aljubarrota a padeira Brites de Almeida. As grutas, fontes e nascentes de água acolhem a oeste da Serra de Albardos ou dos Candeeiros as lendas de mouras encantadas (seres míticos que não têm a ver com o masculino mouro, como a estudiosa Teresa Meireles anota), guardiães de tesouros, como os que existiram, na já não existente, mas saudosa, Quinta da Serra, como nos conta a historiadora de Alcobaça Maria Zulmira Marques, onde se escondiam chinquilhos de oiro. Nas freguesias de Santa Catarina e Benedita, os mais antigos sabem e contam a lenda da aparição de Nossa Senhora, a Benedicta, que a sua filha, a escritora Vanda Marques reescreveu para crianças. Indo até à Asseiceira, lá nos esperam as lendas de lobisomens, algumas lembradas no livro/e-book “Saberes Populares – Lendas e Estórias” que a Câmara Municipal de Rio Maior editou em 2024. As lendas são histórias do povo, de pessoas simples, mas que muitos estudiosos como Teófilo Braga, Leite de Vasconcelos, Consiglieri Pedroso, bem como o turquelense José Diogo Ribeiro não resistiram a ouvir e escrever.
Alexandre Parafita, outro estudioso das lendas, define-as como «histórias do povo, sobre o povo, contadas pelo povo» e por isso valoriza nas suas investigações o registo oral. Contudo, ele também estuda as lendas modernas, as ditas ‘lendas urbanas’, onde a transmissão não é apenas oral, mas por meio das redes sociais. Ora, e ainda antes das redes socias, Xanana Gusmão, líder da libertação do povo timorense, deixou-nos no seu livro de poemas ‘Mar Meu’ (1998) a Lenda do Crocodilo, que começou assim: «Diz a lenda, e eu acredito»
