Rui Medeiros é treinador da equipa de andebol do Cister Sport de Alcobaça e, em entrevista a’O ALCOA, revisita mais de 20 anos de ligação ao clube, fala dos desafios de liderar o plantel sénior, analisa a histórica subida à 2.a Divisão Nacional e projeta os objetivos para 2026/2027, num percurso numa casa que descreve como “uma família”.
Está ligado ao Cister Sport de Alcobaça desde a época 2004/2005. O que representa para si este percurso de mais de duas décadas?
Representa mais uma família do que propriamente um clube. Foi onde eu cresci como treinador, foi uma aprendizagem constante. Sempre bem recebido. Encontrei grandes pessoas que agora são grandes amigos. E acho que isso enriqueceu-me como pessoa e como treinador. Quando iniciei em 2004 como treinador, foi um trajeto contínuo com as pessoas certas do meu lado. Claro que isto não é nada linear, é uma montanha-russa, há sempre contras durante esse trajeto, mas foram superados e deixaram-me sempre crescer. É onde eu me sinto bem.
É o «homem do leme» do plantel sénior desde 2020/2021. O que tem sido mais desafiante neste papel?
É fazer com que os atletas consigam estar nesse «barco» mesmo, comprometidos durante o processo todo. Estes anos, e desde o início, quando apanhámos a pandemia de Covid-19, foi muito complicado. Tínhamos uma equipa e um plantel até com qualidade para termos logo a subida de divisão nesse momento, o que não aconteceu. O que é que pode ter acontecido? Se calhar, menos cuidado em alguns momentos da época, o tal compromisso, porque a Covid-19 também veio romper um bocado esse compromisso no qual estávamos a trabalhar (alguns treinos em casa, treinos individuais) e depois não tínhamos tempo para preparar tanto os jogos. Depois, nas épocas seguintes estabeleceu-se a relação com o projeto. O projeto sénior não é um projeto de formação, temos de ter atletas comprometidos, com qualidade, já com alguma maturidade para podermos subir de divisão. Eu acho que este ano foi o culminar desses anos todos. Conseguimos agarrar um grupo já forte. Houve uma aposta anterior nos atletas da formação, porque grande parte dos atletas do plantel sénior são atletas da formação, são prata da casa. Não digo que foi fácil a subida de divisão, nunca é fácil, mas em termos de compromisso, trabalho, qualidade do plantel, este ano foi muito melhor do que os anos anteriores.
Esta temporada alcançou a promoção para a 2.ª Divisão Nacional. Qual foi a receita para o sucesso?
A receita para o sucesso é como o meu treinador-adjunto Cristiano Remígio diz: equipa UFC – Unidos, Focados e Comprometidos. Isto é a receita. Isto é uma «montanha-russa», nada é linear. Temos de encontrar um caminho saudável, em que os atletas possam crescer individualmente, tecnicamente e emocionalmente. Para eles estarem a tornar-se mais maduros no processo. Isso é que os levou, no final da época, com a ambição que tinham e com a garra que tinham, unidos a lutar pelo objetivo principal: a subida de divisão.
Leia a entrevista na integra na edição de 02 de julho de 2026





























