O alcobacense Sérgio Carolino continua a ser um dos mais categorizados e reconhecidos tubistas a nível mundial, voltando agora a ser notícia pelo regresso em disco do seu duo XL, em que tem como companhia criativa o não menos ilustre pianista e compositor nortenho Telmo Marques. Onze anos após a edição do seu bem-sucedido álbum de estreia, intitulado XL – Portuguese Music For Tuba & Piano, em que interpretavam exclusivamente música de autores portugueses, este significativo duo da nossa música culta lançou agora no mercado uma sua nova produção discográfica, com selo editoral da japonesa Cryston, em que sob o título ViBiN materializa composições propositadamente para si escritas, de autoria de compositores de várias nacionalidades e elevado nível, majorando este disco à proeminência que um músico da qualidade de Sérgio Carolino há muito merece e continua a justificar. A cinematográfica e tentadora Interplay II, do norte-americano Jim Self, diz-nos logo de entrada aquilo a que o duo XL vem, com o piano de Telmo Marques a acentuar vincadamente o ritmo e a cadência, libertando Sérgio Carolino para os seus sempre aliciantes arrebatamentos e deambulações sonoras, conduzindo-nos com mestria à seguinte Salamander Sonata, do australiano Andrew Batterham, um insinuante passeio sonoro pela paixão criativa e interpretativa que neste caso eleva mesmo o ouvinte a um paradisíaco grau musical. Tropia, do nosso Telmo Marques, é o passo seguinte deste inspirado e inspirador álbum, confirmando a qualidade compositiva e interpretativa destes sabedores e experimentados músicos e a classe e distinção desta feliz parceria de um Sérgio Carolino igual a si próprio e ao seu melhor, abrindo caminho para a radiante Frivol I Tease, do norte-americano Jim Self, cujos dois andamentos nos envolvem e enlevam na sensualidade de perfume sonoro em que o piano de Telmo Marques e a tuba de Sérgio Carolino atingem os píncaros da sua sedução perante o ouvinte, contribuindo só por si para a superior avaliação deste excelentíssimo disco. A final Blues for Schubert, do suíço Daniel Schnyder, é o remate com pompa e circunstância de um disco que se ouve com o elevado prazer de quem frui toda a excelência possível deste universo, com uma não menos inaudita intervenção de outro distintivo músico alcobacense, o saxofonista Mário Marques, indiscutível selo de distinção numa produção discográfica que demonstra claramente as virtudes de uma qualidade que nunca brinca em serviço. Muito bom mesmo e a pedir muitas palminhas.