Opinião

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Sinais (I)

Não temos outra solução senão seguir adiante sem outra escolha para além de suportar a arbitrariedade dos órgãos de soberania. Os portugueses e outros europeus têm de conformar-se a viver com quase nada, guardando apenas a ilusão do que tiveram por via da mesma arbitrariedade. Apenas alguns, cada vez menos, ainda guardam uma ilusória chama. Só não estamos em guerra, não temos mortos e feridos aos milhares, mas temos milhares, milhões de cidadãos indigentes. “Formigas” como disse o Ministro dos Bombeiros. Na guerra são os erros dos generais que tramam o povo beligerante. Na paz são os erros dos políticos quem anula o povo contribuinte retirando-lhe alegria cidadã. A ferocidade de gelo do Ministro das Finanças, a intransigência deliberada da sua incapacidade para argumentar e alcançar outra solução que não seja asfixiar o povo que, segundo diz, lhe pagou dispendiosos estudos (estudou sempre em Portugal), é um paradigma do estado da governança, sem rumo aparente. Os cidadãos, em particular funcionários públicos e reformados, são encarados pelo Governo como aumentadores fiscais, tal como em tempo de guerra são considerados carne para canhão, por muitos governos de múltiplos países.
Os efetivos representantes do povo são os Deputados e o Presidente da República só estes devem falar em nosso nome, mas os primeiros só discutem entre si e o segundo diluiu-se no tempo. O Governo é constituído por cidadãos que nem sempre entendem o seu lugar, porque durante anos, alguns preferiram a ostentação, este também um dos perniciosos símbolos do exercício do poder, diria até o mais patético de todos. Os governantes não pensam para lá do conjuntural porque muitas vezes não sabem ou não podem dar solidez ao estrutural.
Ao que se ouve, o Vice-Rei Gaspar nem com os pares comunica e o povo começa a manifestar-se e a recuperar a canção de Zeca Afonso. No Parlamento deveriam estar os nossos representantes com coragem para se oporem, assumindo o seu dever, evitando que vivamos num País ocupado. Hoje, a soberania diluiu-se. Só a Europa Federal nos salvará. (continua)

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