Sócio-política e religião

Afonso Luís
Bancário aposentado

Nos tempos que correm, algo vai mal na política, na sociedade em geral e na religião. Desde logo, Putin e a guerra. Este o principal problema, embora haja, na sociedade contemporânea, outros Putins, pelo menos em potência: são os dirigentes que desfazem o que fora bem feito, só porque fora feito por outro partido; são os que não dão sequência ao (bom) trabalho já feito, só porque não foi iniciado por eles próprios. O pior é que alguns destes Putinzinhos chegam a ser aclamados por muitos cidadãos, por ignorância ou por defesa de interesses pessoais.

Na Igreja Católica afigura-se permanecer ainda, de quando em vez, uns laivos da “Igreja Velha”. Note-se que estas expressões “Igreja Velha” “Igreja Nova” apareciam em autores dos anos sessenta, por altura do Concílio Vaticano II. Foi João XXIII quem abriu a janela dos novos tempos, com o início do Concílio, propiciando a “Igreja Nova”. Hoje, Francisco continua de janela aberta, mas há quem não seja capaz de respirar o ar puro que dessa janela vem. Exemplos: no passado dia 25, dia festivo da Igreja (a Anunciação) deu-se a consagração ao Imaculado Coração de Maria, tanto da Rússia como da Ucrânia, na Basílica de S. Pedro, pelo Papa Francisco, e em Fátima, pelo enviado do Papa, o cardeal Konrad Krajewski. Claro que foi notícia. Mas notícia nas igrejas? Não consta que na maioria das missas de domingo esse facto fosse sublinhado, ou sequer lembrado. O Papa tem verberado a terrível guerra, tem falado, tem insistido, e até escreveu relativamente à Ucrânia: “…estejamos próximo a este povo atormentado e abracêmo-lo com afeto…” “…não nos acostumemos à guerra e à violência.” Em quantas missas, nestes últimos domingos, ouvimos referências desta natureza? Não há dúvida: “Igreja Nova” precisa-se. Os textos bíblicos, sempre atuais, terão de aplicar-se no concreto à vivência dos dias que passam. De outra forma, esses textos serão apenas “papaguiados” e perdem o seu verdadeiro sentido. Seria bom que párocos e fiéis, em geral, refletissem nisto, repensando melhor as celebrações e as homilias à luz dos conturbados tempos que vivemos. Para não continuarmos, em 2022, na “Igreja Velha”.

E.T. Também na mesma data foi celebrada em Vila Viçosa a proclamação de Nossa Senhora da Imaculada Conceição como rainha de Portugal, por D. João IV. O rei doou-lhe a sua coroa, e tanto ele como os seus sucessores não voltaram a colocar a coroa nas suas cabeças. Acontecimento importante, com eucaristia no passado domingo, celebrada por D. José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal e bispo de Leiria/Fátima. Duvido que o acontecimento seja lembrado nas próximas celebrações religiosas.

Afonso Luís
Bancário aposentado

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