Três santas, El Patas & Co.

José Maria André
Professor do I. S. Técnico

Há poucos dias (29 de Maio), a Igreja beatificou três enfermeiras espanholas mártires, Olga Pérez (23 anos), María Pilar Gullón (25 anos) e Octavia Iglesias (41 anos).
As três, solteiras, trabalhavam num pequeno hospital em Somiedo, nas Astúrias, e participavam activamente na vida da igreja: eram catequísticas, visitavam os pobres, etc. No dia 27 de outubro de 1936, quando o exército vermelho invadiu Somiedo, as três enfermeiras não quiseram abandonar os doentes do hospital. Os milicianos vermelhos irromperam no edifício, fuzilaram os doentes e levaram o médico, o restante pessoal e as três enfermeiras algemados ao comandante, conhecido como o “El Patas”. Os populares que viram o cortejo contam que foram 8 quilómetros muito duros para os prisioneiros. O capelão do hospital e o médico foram logo assassinados e os seus cadáveres expostos em público, mas o “El Patas” propôs-se libertar as três enfermeiras se deixassem de ser católicas e se juntassem ao partido. As raparigas recusaram a proposta e o “El Patas” deu ordem aos milicianos para abusarem delas à vontade.
Os soldados violaram-nas e torturaram-nas toda a noite. A gritaria foi tanta que o “El Patas” pôs carroças de bois a circular nas ruas à volta da casa para fazerem barulho. Apesar da violência, as raparigas mantiveram-se leais a Deus. Rezavam elas e gritavam, e gritavam também os soldados fora de si, enquanto os bois mugiam lá fora e as carroças chiavam pelas ruas desertas. Numa das carroças a ranger jazia o cadáver do capelão do hospital, que durante o dia tinha sido exibido a toda a povoação juntamente com o cadáver do médico e, chegada a noite, fora deixado em cima da carroça, talvez por esquecimento.
No dia seguinte, ao meio-dia, exaustos uns e outros, levaram as três enfermeiras despidas para um descampado para serem fuziladas atadas a dois homens. As mulheres milicianas que trataram do assunto despacharam primeiro os homens e depois as três enfermeiras, que morreram louvando a Deus e perdoando as assassinas. Depois do fuzilamento, os milicianos profanaram os cadáveres, arrastaram-nos pelo chão e deixaram-nos a apodrecer ao ar livre até à noite. Já escuro, obrigaram alguns aldeões a cavar um buraco e a colocá-las lá, já vestidas com a sua farda de enfermeiras. Estas circunstâncias conhecem-se porque, no final da guerra civil, o “El Patas” contou o que tinha acontecido e alguns habitantes da povoação também prestaram testemunho. Entre os muitos mortos pelas “milícias republicanas” naqueles dias, a população guardou especial memória destas três raparigas. Acabada a guerra civil, convenceram o bispo a levar os corpos delas para a catedral, em Astorga.
Hoje, é difícil conceber tanto ódio desvairado, mas de acordo com os princípios marxistas a vida humana não vale nada e o ambiente daquele tempo, exacerbado pela crueldade da guerra civil, fez da loucura um padrão habitual. Sem nenhum intuito de reavivar ódios velhos ou de pedir vingança, o Papa Francisco considerou que nos fazia bem recordar estas três enfermeiras, que amaram a Deus com tal generosidade e deram a vida por Ele. Por isso mandou que fossem beatificadas no passado dia 29 de maio de 2021.
Embora já tenham decorrido 85 anos desde o martírio e as atuais correntes de inspiração marxista estejam mais apostadas em promover o aborto e a eutanásia do que em combater os cristãos, ainda há setores que não conseguem olhar com serenidade para estes exemplos de virtude. Em Espanha e em Itália, só os meios de comunicação católicos deram a notícia. No resto do mundo, as agências noticiosas mais importantes omitiram o assunto. Tanto quanto sei, em Portugal o mesmo aconteceu. A perseguição religiosa antes e durante a guerra civil espanhola deu origem a numerosos mártires, com milhares já beatificados e canonizados. Gente comum, muitas vezes crianças e mulheres, que perante uma situação extrema puseram Deus em primeiro lugar. É pena que estas histórias não sejam mais conhecidas. E o catálogo é abundante.
Cada uma destas histórias é motivo para nos perguntarmos como teríamos reagido e como atuamos hoje no dia-a-dia. Guardamos rancor? Rezamos pelos outros, por mais desvairados que sejam? Olhamos para eles com simpatia? Somos leais e justos?

José Maria André
Professor do I. S. Técnico

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