Opinião

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Um conceito de família (I)

Em casa dos meus pais (onde ainda havia oito filhos), as Regras da Casa/ Família eram expressas, definidas e respeitadas por todos os elementos, os papéis estavam definidos. A família ao longo dos anos organizou-se em função desses papéis, onde cada um de nós sabia distinguir o permitido do proibido, esperando pelas recompensas e acatando os castigos de uma forma consistente, adaptados à idade. Quando me refiro a recompensas, não estou a pensar propriamente nas puramente materiais, mas a estímulos benévolos e positivos. Nem quanto a castigos, o quarto escuro.
Há uns anos, apenas para consumo familiar, escrevi um livrinho sobre AS REGRAS DA (nossa) CASA.
Pois claro, bem recordo, tínhamos problemas. Todas as famílias têm problemas, e a nossa não era exceção, mas havia uma maneira muito própria de lidar com eles, preferencialmente discutidos à mesa, sentimentos expressos sem os tabus que envenenam as relações. A minha Família era muito tradicional, inserida numa boa burguesia urbana portuense, onde os meus Pais concebiam uma educação que se poderia qualificar de negociável, o que me permite concluir (desculpem se exagero!!!) que ali não havia vitórias, nem derrotas, o que não sei bem com isso acontecia.
Mas para nós filhos, uma coisa era absolutamente inquestionável, o poder estava do lado dos pais, embora pudesse ser pontualmente negociado, mas a última palavra era destes, sem dúvida.
Posso-me gabar (desculpem se exagero) que em casa de meus Pais, a resposta às exigências internas e externas da mudança do tempo (educar oito filhos!!!, implica devoção e demora muito tempo), não seguiu um padrão standard, rígido, sem possibilidade de alternativa, o que a assim ser implicaria um bloqueio no processo de comunicação familiar.
As disfunções de relacionamento e de papéis dentro das famílias podem afetar os seus membros, seja a título individual, como familiar, constatação que não sendo original nem por isso é fácil de ultrapassar.
(Continua)

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