Opinião

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Um conceito de família (II)

As famílias doentes, por vezes elegem um dos membros para representar a doença da família. É o caso que muitas vezes ocorre em famílias psicotizantes onde os pais, possuem o poder de psicotizar (perverter digo eu, talvez no quadro de uma patologia maníaco-depressiva) um filho. Este, por sua vez, torna-se o membro inconscientemente doente da família, aceitando a carga de dificuldades para si, encarnando um bode expiatório, que assume e representa a doença da casa, permitindo aos demais verem-se livres dos seus próprios conflitos e dificuldades. A família sente-se, aliviada, saudável, enquanto possui um membro doente.
A minha experiência profissional e de vida em sociedade (já com alguns anos, que as cãs não escondem), permite-me revelar que tanto nas famílias funcionais como disfuncionais, existem cumulativamente filhos não sadios e empreendedores. Nas famílias disfuncionais, os pais negam os problemas, fazem os filhos guardar segredos, como o alcoolismo, violência ou resultados menos conseguidos. E afastam os filhos das relações
fora do círculo familiar.
Hoje em dia suponho saber identificar, com pequena margem de erro, casos de família disfuncional. Às vezes, saltam das páginas de jornal ou dos telejornais que relatam crimes tão hediondos como pais que matam filhos. Não que o distúrbio justifique o crime, mas a cada acontecimento novo, interrogo-me se alguns desses dramas poderiam ter sido evitados caso as pessoas tivessem recebido ajuda psicológica.
Bem sei que o desenvolvimento humano não tem fórmulas exatas ou lineares. Filhos de famílias disfuncionais podem desenvolver-se de forma ajustada e estabelecer relacionamentos saudáveis. Assim como filhos de famílias sem grandes conflitos podem desenvolver transtornos de conduta. Vários fatores concorrem para a origem dos transtornos psicológicos, como as características individuais, incluindo as genéticas, e influências ambientais. (fim)

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