“Um presidente de junta tem de ter mais importância do que tem hoje”

Foto por Sara Vieira

Nome: Hélder Cruz
Data de nascimento:
16 de outubro de 1952
Naturalidade:
Alpedriz
Atividade Profissional:
Operador de expedição
Quando se candidatou:
1994
Porque se candidatou:
“Era membro da assembleia de freguesia e chegou uma hora em que era necessário impulsionar a freguesia e constituir-se uma lista independente”

Que balanço faz do seu mandato, desde 1994?
O saldo é extremamente positivo. Basta lembrar aquilo que foi feito nestes quase vinte anos e aquilo que está por fazer. As pessoas têm motivos para estar satisfeitos, porque de facto conseguiu-se muita coisa em várias vertentes.

Quais são os principais problemas que Alpedriz enfrenta?
Uma das questões principais prende-se com a necessidade de quebrar o divórcio entre freguesias e a sede de concelho. E uma das formas de quebrar esse divórcio é criar bons acessos a Alcobaça. Não se entende como é que uma freguesia como a nossa tem os acessos tão maus como tem, qualquer pessoa que nos visita se interroga. Depois há outras situações que se prendem com a falta de capacidade de resposta da câmara.

E o desemprego tem contribuído para a desertificação da freguesia?
Alpedriz sofre o que as outras freguesias estão a sofrer. Há a tendência para dizer que o concelho de Alcobaça é um oásis, mas é mentira. Temos problemas muito grandes de desemprego no nosso concelho, basta olhar para as fábricas de cerâmica que fecharam. Não podemos esconder a pobreza envergonhada. Alpedriz além de ter pessoas bastante idosas, também sofre com o desemprego. Tivemos a instalação de uma empresa há uns meses que criou alguns postos de trabalho, mas não chega. Há uma coisa que temos defendido há muitos anos: a criação de pequenas bolsas industriais. E no caso concreto de Alpedriz, dada a sua localização geográfica, era evidente que era necessário fazer-se. Até fizemos a proposta do local, junto da A8, e não se resultou absolutamente em nada.

Quais são as obras feitas ou por fazer que considera mais relevantes para a freguesia?
Não se pode comparar os mandatos entres os presidentes de câmara. Alpedriz pode orgulhar-se daquilo que tem hoje graças a presidentes como Miguel Guerra, como Gonçalves Sapinho, por exemplo a nível de abastecimentos de agua, saneamento básico… mas este mandato quedou-se pela quase nulidade de obra.

Qual é a situação financeira da junta de freguesia?
Como todas as juntas não será uma situação de grande desafogo. Agora que não temos problemas de tesouraria, não temos. Temos feito uma gestão criteriosa, costumamos dizer que não podemos dar um passo maior que a perna e é isso que temos feito.

Se fosse presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, qual seria a área em que atuaria de forma mais urgente para proporcionar um maior desenvolvimento do concelho?
Empenhava-me mais a fundo na relação com os presidentes de junta; é fundamental. Eu não posso conceber que o presidente de junta seja relegado para quase um presidente duma direção na comissão de festas. O presidente de junta é uma pessoa eleita pela população para tratar dos assuntos da freguesia e é com essa pessoa que se deve encontrar soluções. O presidente da câmara das Caldas da Rainha, por exemplo, reúne semanalmente com os presidentes de junta. O nosso presidente, em quatro anos, visitou a freguesia uma vez. Isto revela qualquer coisa… Um presidente de junta tem de ter mais importância do que tem hoje, e isso não significa dar-lhe mais poder.

O que considera ser pilar de crescimento desta freguesia?
Alpedriz poderia ter grandes possibilidades de crescer a nível turístico. Não estamos preocupados com a criação de empresas deste ou daquele ramo. A nossa posição geográfica podia perfeitamente ser aproveitada, assim como a nossa beleza natural. A praia fluvial, a ponte romana, a igreja matriz, o túmulo do período neolítico, a capela de Santo António… Tanta coisa que nós temos que podia ser divulgada e aproveitada.

A proposta da união da freguesia de Alpedriz, Montes e Cós  é do seu agrado?
É evidente que a proposta feita pela comissão técnica não é do nosso agrado. Nem de perto, nem de longe. A proposta da comissão técnica é a proposta do Dr. Paulo Inácio. Não temos nada contra a freguesia de Cós, mas não afinidade nem ligação, nunca houve, não é agora que vai existir. Numa primeira proposta defendemos a agregação de Alpedriz e Montes, por razões históricas, fizemos parte da mesma freguesia mais de 860 anos. Mas a proposta não foi aceite, esperando uma contraproposta. Nós na boa-fé fizemos-la, depois de ouvir, claro, a população que decidiu agregar Alpedriz e Montes a Pataias. Também não valeu de nada. A questão agora é: o que é que Cós tem que nós não temos? Neste momento não há qualquer vantagem – pelo contrário – de nos agregarmos a Cós. A providência cautelar já avançou, não sabemos qual vai ser o efeito dela. Quem ouve as populações todos os dias como eu ouço há um sentimento de revolta e indignação com aquilo que se está a fazer.

Vai haver recandidatura?
A minha recandidatura nunca foi equacionada. Quando se fala da possibilidade de ser candidato se Alpedriz tivesse agregado a Montes é uma falsa questão. Aquilo que eu sempre quis foi respeitar a vontade das pessoas. É altura de vestir o pijama de ir ter com os filhos e netos.

3 respostas

  1. o sr Hélder Cruz foi o principal responsável pelo divorcio entre Alpedriz e a sede do conselho.
    Alpedriz necessita acima de tudo de união das pessoas, coisa que o sr Hélder só soube, alimentar inimizades e separatismos entre as pessoas, se alguém vai de encontro ás ideias dele torna-se seu inimigo, e consequentemente um alvo a abater, neste ponto o sr Hélder não foi um bom presidente de junta.

  2. Caro João Luís, muito agradecemos a sua atenção. Tratando-se de um lapso, até porque na edição em papel está escrito corretamente, o texto online já foi alterado.

  3. Tenho de dar os parabéns ao Alcoa pela sua modernização enquanto jornal, mas não se admite que hajam tantos erros ortográficos no texto. “Quem houve as populações…” deveria estar “ouve”. Este erro não tem qualquer desculpa. Há ainda uma clara falta de pontuação, nomeadamente da utilização de virgulas.

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