Opinião

Banner - OPINIAO Cesar satos_vereador eleito pelo partido socialista

Um sistema político mais transparente é mais eficiente!

A política é património dos cidadãos e não se pode resumir aos agentes políticos que apenas exercem um mandato: democraticamente delegado.  A política é a forma de organização da sociedade. É, portanto, totalmente transversal a todos os domínios da vida. E precisamente por isso têm de ser criados mecanismos de controle públicos e transparentes.

Nunca consegui perceber as pessoas que dizem não ligarem à política. Porque uma pessoa dizer que não liga à sua vida, à vida dos seus filhos, à vida dos seus netos, à da sua terra, ao planeta …é uma coisa que acho um bocadinho estranha. Outra coisa é as pessoas não gostarem da vida política partidária ou institucional. Isso acho normal. Sobretudo considerando o que vem a público do interior das estruturas partidárias e das instituições. Urge garantir condições – e estimular – a participação dos cidadãos no desígnio coletivo.

Não há em Portugal uma estratégia nacional de combate à corrupção. Quando se fala numa estratégia nacional, passa por várias áreas, não é só centrar essa estratégia no funcionamento do poder judicial. Deve ser criado um sistema gerador de confiança e credibilidade. Onde o rigor, transparência, exemplaridade e escrutínio têm de ser os valores de referência para o caminho de devolver a confiança dos cidadãos na política e nos atores políticos. Valores assentes numa matriz de cultura e de conduta pessoal e política impoluta assegurando, em simultâneo, a firmeza das instituições e a confiança dos cidadãos.

É essencial haver uma cultura cívica de cidadania, que diga não à corrupção. Isso passa por uma maior transparência. Por não considerar normal que se dê conhecimento a amigos de cadernos de encargos. Por não achar normal a “cunha” e o “favoritismo de amigos e familiares”. Há uma normalização de um determinado tipo de comportamentos e práticas – contrários à transparência – que põem em causa o Estado de direito.

A luta contra favorecimento e a corrupção deve ser um objetivo crucial da ação política. Temos,  todos, de declarar tolerância zero e travar um combate aos “fenómenos” que minam a democracia e promovem o desvio dos recursos essenciais ao desenvolvimento das nossas regiões.

É vital continuar a propor e promover instrumentos para o exercício da participação política pelos cidadãos, no sentido de cada vez criar uma democracia participativa e efetivamente participada! Garantindo uma interação que assegure a equidade, a transparência, o combate aos conflitos de interesse e a defesa do cidadão contra a má prática, a fraude e a indução da procura.

E porque acredito na reabilitação do sistema político, continuaremos a propor na Câmara Municipal, mecanismos de responsabilização e controlo da ação política, de escrutínio sobre os níveis de empenho e de eficiência na prossecução do interesse público. Bem como da qualidade do funcionamento das instituições no serviço efetivo dos cidadãos e da eficiência na utilização dos dinheiros e recursos públicos.

Outras notícias em Opinião

  • Um caminho por baixo de terra

    Inesperadamente (29 de Junho), o Papa Francisco entregou ao Patriarca Bartolomeu, de Constantinopla, nove fragmentos ósseos de há dois mil anos, provenientes de uma tumba…

  • Casa Museu Vieira Natividade para quando?

    Há uns meses equacionou-se a possibilidade de estabelecer um protocolo entre a DGPC (entidade que gere o Mosteiro de Alcobaça) e o Município de Alcobaça…

  • Voltaram os profissionais da greve

    Quando as televisões interpelam os utentes dos serviços atingidos por greves obtêm, em regra e infelizmente, respostas como esta, que registei há dias: “Sinto-me muito…

  • A “armadilha” da autenticidade

    Escrevo este artigo no dia 1 de Julho de 2019. Inicia hoje mais uma semana, mais um mês e mais um semestre, o 2º semestre…

  • O retrato da aviadora

    O melhor retrato de Guadalupe Ortiz de Landázuri é ao lado de um avião, com uma amiga, em 1932. Um biplano da época, com um…

  • Não faz falta “usted”

    Esta semana, fez escala em Lisboa um amigo que não via há muito tempo e tem a sorte especial de ser argentino (com ascendentes portugueses)…

  • Da igual dignidade humana

    No artigo anterior foram enumerados os princípios da doutrina social da Igreja consagrados no respetivo «Compêndio»: dignidade da pessoa humana; bem comum; destino universal dos…

  • O braço de ferro

    Numa homilia de Abril, o Papa falou de lutar com Deus até O conseguir vencer. Não é pouco atrevimento, desafiar Deus para um braço de…

  • A desgraça a que chegou o IC2

    A situação em que se encontra o IC2, entre a Zona do Alto da Serra no Concelho de Rio Maior e Alcoentre no Concelho da…

  • Da Doutrina Social da Igreja

    Entende-se por doutrina social da Igreja (DSI) o conjunto de orientações, para os domínios socioeconómico, político e ecológico, provenientes do Evangelho e de toda a…