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Uma figura que emerge

O Alcoa noticiou, na última edição, que o novo presidente da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) é o bispo de Setúbal, D. José Ornelas. Tendo tomado posse a 16 do passado mês de Junho, poucos dias depois, a 21, concedeu uma interessante entrevista ao jornal Público, na qual se vislumbra a emergência de uma figura acima da média. D. José Ornelas posiciona a Igreja bem no século XXI, quando diz, por exemplo: “Na Igreja temos uma tradição, mas isso não pode ser significado de paralisia… a Igreja tem de encontrar novos modos de se dirigir a este mundo e à sua realidade complexa”. Acerca da eutanásia, salienta: “Não podemos deixar de defender a vida desde a sua conceção até à morte natural, mas não gostaria que a vida fosse referendável”. Também sobre normas se pronunciou o novo presidente da CEP, com desassombro: “Padres casados dentro da nossa Igreja? Não vejo mal nisso, visto que o celibato não é um dogma absoluto nem inquestionável”. Já quanto à ordenação sacerdotal de mulheres, D. José Ornelas é prudente: “É um bocado complicado… mas a Igreja tem de discernir e de ver…”. Sobre o problema social pós-pandemia, defende: “Uma sociedade que não é justa e não dá dignidade às pessoas gera o quê? Ou gera escravos, que a tudo baixam a cabeça, ou gera rebeldes”.
D. José Ornelas defende um trabalho em rede para integrar todas as forças da Igreja e aponta caminhos nesse sentido. Tudo indica, pois, estarmos em presença de um eclesiástico com ideias frescas. Ora, não só a Igreja como a sociedade em geral bem necessitam de pessoas com esta dimensão. Como a entrevista saiu numa edição de domingo, alguém com quem compartilhei a sua leitura, me confidenciou: “esta foi a melhor homilia do dia”.

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