Recordo-me dos meus dias de adolescente. Aluno no Externato de Penafirme, Torres Vedras; um rapaz sonhador; o receio do que virá. Ao vasculhar as memórias, revejo um grupo de jovens, rapazes e raparigas, que naquela escola católica se reunia para refletir sobre a fé e fazia caminho em conjunto rumo a um bacano de seu nome Jesus Cristo. Nesse grupo guiado pelos padres do Seminário Menor, íamos preparando momentos de oração na capela, convidando toda a escola a fazer-se presente. Participávamos em retiros, que relembro como, sobretudo, momentos de convívio. Já como antigo aluno fiz parte do grupo de monitores para um campo de férias católico destinado a adolescentes entre os 12 e os 14 anos. O mais surpreendente disto tudo foi como a partir deste grupo de jovens várias vocações despontaram. A Sophie, a Verónica e a Marta, que entraram na Congregação da Aliança de Santa Maria. A Joana e a Inês, nas Concecionistas. Eu e o Guilherme no Seminário. Se é verdade que das comunidades onde se vive a radicalidade do Evangelho as vocações brotam espontaneamente, pois este grupo de jovens, chamado XPTO, foi a prova. Eu já sabia que a mostra de doces e licores conventuais de Alcobaça conta com a presença de comunidades religiosas, que vêm ao nosso encontro para nos revelar as suas especialidades. Mas para enorme espanto meu, numa das missas da Paróquia, da semana que passou, pareceu-me ver uma cara conhecida. Era mesmo. A Irmã Inês, que veio com as suas “manas” representar pela primeira vez na mostra de doces o Mosteiro Concecionista de Viseu. Já não a via desde que ela entrara na clausura. Sorri e dei graças a Deus. Pelo passado que recordo com carinho. Por aqueles que tal como eu deram o seu sim a Jesus, na sua vocação. Porque ver o testemunho destes irmãos e irmãs consagrados que nos visitam, enche-me de entusiasmo. Na verdade, há-de nos interpelar a todos. Afinal, todos os anos temos em Alcobaça uma verdadeira mostra de reencontros.