Memória

Vultos da minha região – Sacerdotes cumeirenses II

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Na introdução da edição anterior, referi-me particularmente ao Padre Paulo Soares – assassinado durante as invasões francesas – nascido em Albergaria (Cumeira de Cima) referido não só pelo livro que mencionei, mas também pela obra do Padre Dr. José Fernandes de Almeida, com o título “A freguesia do Juncal e o seu clero”, cuja única edição saiu à estampa em 1984, integralmente patrocinada pelo bom comendador e industrial J. Coelho da Silva, que também merece ser aqui recordado pela sua incomensurável bondade e infinita generosidade. Falarei dele posteriormente.
No livro citado, são também referidos o sacerdote Teodoro Augusto Nascimento de Barros e a sua passagem pela Batalha, como coadjutor dos padres Dr. António Pereira das Neves e Luís Cunhal.
O Padre Teodoro Barros nasceu na Cumeira, a 14 de fevereiro de 1838, com ascendentes paternos em Cumeira de Cima e maternos em Cumeira de Baixo. Jamais será esquecido na aldeia onde nasceu, pela sua coragem e abnegação frente a um episódio que marcou a aldeia no século XIX. Com efeito, a única capela existente, à época, era privada e pertencia à Quinta da Boavista. O culto a Nossa Senhora do Amparo nunca fora vedado aos moradores da aldeia, incluindo a missa aos domingos e dias santos. Contudo, poucos anos antes da ordenação deste sacerdote, a Quinta da Boavista mudou de proprietários e a dona do Solar (uma tal “Livramenta”, filha do Pataeiro) decidiu impedir o culto aos seus servos e outros fiéis da aldeia. Não contente com isso, ordenou a “profanação da capela e da própria imagem de Nossa Senhora do Amparo”. O espaço de culto foi transformado em “curral para gado”. A história é muito longa, mas resume-se assim: face ao ocorrido, o jovem sacerdote doou à aldeia o único terreno que herdou para que lá se construísse uma nova capela, que ele mesmo inaugurou, celebrando aí a sua Missa Nova, a 15 de junho de 1863.

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