Opinião

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A nova Missa

O Papa Francisco decidiu que, a partir deste ano, a Missa do dia seguinte à festa de Pentecostes passará a ser a memória litúrgica de “Maria, Mãe da Igreja”. Esta novidade acontecerá em todas as paróquias do mundo, culminando um itinerário de séculos.
Quando se reconstruiu a Basílica de São Pedro, com a forma que hoje lhe conhecemos, parte de uma coluna da primitiva basílica do século IV foi integrada na nova construção. A razão é que estava pintada nessa coluna uma imagem de Jesus com Nossa Senhora. A antiquíssima pintura foi emoldurada em maravilhosos embutidos de pedras coloridas, formando uma capela dedicada a Maria “Mãe da Igreja”.
Nas últimas décadas, a oração pela Igreja tornou-se cada vez mais urgente e Paulo VI, contra a opinião de muitos conselheiros, surpreendeu o mundo ao proclamar solenemente Maria como “Mãe da Igreja”, em pleno Concílio Vaticano II.
O Papa João Paulo II colocou na praça de S. Pedro uma reprodução grande, em mosaico, daquela imagem de Nossa Senhora Mãe da Igreja, oriunda da primitiva basílica vaticana. Além disso, acrescentou à ladainha do Terço a invocação “Mãe da Igreja, rogai por nós!”.
Também é do tempo de João Paulo II o pequeno mosteiro “Mãe da Igreja” nos jardins do Vaticano, onde agora vive Bento XVI.
Finalmente, esta decisão de Francisco de instituir a nova memória litúrgica.
No passado dia 10 de Maio, visitando a cidade de Loppiano, fundada pelo Movimento dos Focolares, via-se que o Papa estava feliz com tudo aquilo. Repetiu-o muitas vezes, animando os Focolares a prosseguirem o caminho começado. Um dos momentos mais calorosos foi o diálogo improvisado com milhares de Focolares, na esplanada do santuário. No final, o Papa acrescentou uma confidência:
– “Uma última coisa que faço questão de vos dizer. Estamos aqui diante do santuário de Maria “Theotokos” [em Loppiano], sob o olhar de Maria. Também nisto há uma sintonia entre o [Concílio] Vaticano II e o carisma dos Focolares, cujo nome oficial é Obra de Maria. No dia 21 de Novembro de 1964, no encerramento da terceira Sessão do Concílio, o Bem-aventurado Paulo VI proclamou Maria “Mãe da Igreja”. Eu próprio quis instituir esta memória litúrgica (…). Maria é a Mãe de Jesus e, Nele, é a Mãe de todos nós: a Mãe da unidade. (…) É um convite a metermo-nos na escola de Maria para aprender a conhecer Jesus, a viver com Jesus e de Jesus, presente em cada um de nós e no meio de nós. Não vos esqueçais que Maria era leiga, era uma leiga. A primeira discípula de Jesus, a sua Mãe, era leiga. Há aqui uma grande inspiração. Um bom exercício – eu convido-vos a fazê-lo – é tomar os episódios da vida de Jesus mais conflituais e ver como Maria reage. (…) Tu, imagina que a Mãe estava ali, que viu aquilo… como terá Maria reagido? Isto é uma verdadeira escola para caminhar. Porque ela é a mulher da fidelidade, a mulher da criatividade, a mulher da coragem, da “parresia” [do testemunho desassombrado], a mulher da paciência, a mulher que aguenta as coisas. Contemplai sempre isto: esta leiga, primeira discípula de Jesus, como reage nos episódios conflituais da vida do seu Filho. Ajudar-vos-á imenso!”.

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