A Benedita e os Fialhos

João Luís Maurício
Professor de História aposentado

O apelido é muito antigo na área da freguesia da Benedita. Ficará para outra oportunidade escrever sobre o beneditense, Padre João da Silva Fialho, pároco entre 1819 e 1823. Um homem corajoso e frontal, perseguido pelos miguelistas e que se exilou no Brasil, onde acabou por morrer.

Hoje, vamos referir-nos como os Fialhos “migraram” da Benedita para Rio Maior.

O assunto requer um estudo mais profundo, mas a documentação por nós consultada coincide quase sempre com o Bairro da Figueira como sendo o lugar onde o apelido era mais frequente, noutros séculos. Aí, em tempos recuados havia várias mulheres, cujo último nome era “Fialha”.

António Fialho nasceu na Benedita, em 1730, no reinado de D. João V. Casou com Maria Silva, na Igreja de Santa Catarina, em 15 de Novembro de 1755 (poucos dias após o terramoto que também aqui se fez sentir). Deve ter-se fixado no Bairro da Figueira, já que aí nasceram os seus filhos: Manuel Fialho (1756), António Fialho (1769), Ana Fialha (1776) e José Fialho (1780). Foram todos batizados na Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, na Benedita.

José Fialho (o filho mais novo de António) casou com Maria Feliciano, natural de Arrouquelas (hoje pertencente ao concelho de Rio Maior, mas na época era do município de Santarém). Fixaram-se naquela aldeia. Passaram duzentos anos, várias gerações, dois séculos! O José deixou, ao longo desse espaço temporal quarenta descendentes diretos, quase todos nascidos em Arrouquelas.

Aproveitamos a oportunidade para referirmos o nome de dois “Fialhos” que estiveram na Primeira Guerra Mundial.

O soldado António Fialho era natural da Venda da Rega e pertencia à Arma de Artilharia Pesada. Filho de Manuel Fialho. Embarcou para França a 27 de agosto de 1917 e regressou a 1 de maio de 1919.

O outro soldado António Fialho era natural da Benedita e pertencia ao Regimento de Cavalaria 2. Embarcou para França a 2 de junho de 1917 e regressou a 29 de junho de 1918.

O nome foi-se expandindo por toda a freguesia. Consultando a longa lista de proprietários de oficinas de sapateiro da segunda metade do século vinte, encontrámos Fialhos em vários lugares, nomeadamente, no Casal da Estrada, Venda da Rega e Chamiço.

Poderia, aqui, falar doutros Fialhos, como o ferreiro que vivia no centro da terra. Acontece que o espaço, nos jornais, é sempre limitado, o que condiciona o tamanho dos textos.

João Luís Maurício
Professor de História aposentado

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