“A nível da câmara, mandam-me de um lado para o outro”

Foto por Sara Susano

PERFIL

Nome: Leonel Jorge da Silva Ribeiro
Data de nascimento: 9 de abril de 1967
Naturalidade: Alfeizerão
Atividade Profissional: Empresário Agrícola
Porque se candidatou: Pelos meus filhos. A nível profissional, não me posso queixar muito. As coisas estão a correr bem. Há sempre dificuldades, os tempos são difíceis, mas temos conseguido passar um bocadinho ao lado porque temos trabalhado na exportação e graças a Deus temos tido sucesso. Tenho um casalinho de gémeos de dois anos e pensei que talvez fosse a hora de me chegar à frente e tentar que eles tivessem condições melhores que as que eu tive a nível de escola e a outros níveis.

ORA DIGA LÁ…

Um país: Brasil
Um autor: José Rodrigues dos Santos
Uma música: Qualquer uma dos Queen
Um filme: “Era uma vez na América”
Um político: Rui Rio

Alfeizerão

População: 3400 eleitores
Presidente de junta anterior: Natividade Marques
Primeira obra que quer realizar: A ampliação do cemitério do Valado de Santa Quitéria

 

Quais são os principais problemas que Alfeizerão enfrenta?
Temos o problema do Valado de Santa Quitéria, em que o cemitério está sobrelotado. Temos algumas estradas que já têm mais de trinta anos e que estão num estado algo degradado. Temos também caminhos rurais que precisam de ser rapidamente intervencionados; se não, corre-se o risco de as pessoas deixarem de passar por lá ou passarem só tratores. Também em Vale de Maceira, temos a questão dos esgotos, algo que se deve fazer. São obras que não dependem de nós, mas que vamos fazer tudo para que a câmara se dedique a elas.

São essas as obras por fazer mais relevantes?
Sim, a ampliação do cemitério do Valado de Santa Quitéria, a melhoria de algumas estradas e o saneamento básico em Vale de Maceira. E sei que muita coisa se fez, mas falta o Centro Escolar. É uma falha e faremos todos os possíveis, para que seja realidade. O presidente da câmara disse que, se os fundo comunitários abrissem, a carta escolar era para avançar.

Como tem sido até agora gerir a freguesia?
A nível dos funcionários, tem-se gerido bem porque eles já estavam no terreno, já sabiam como as coisas funcionavam. Foram necessários alguns ajustes na nossa maneira de ver as coisas. Como a freguesia é muito grande, as necessidades são muitas. Durante estes últimos anos, como houve obras que se fizeram, houve também algum apoio da câmara e deixou-se a outra parte. A parte das estradas, os buracos para tapar e da lâmpada que faltava…

A primeira experiência como autarca como está a ser?
Estava habituado a trabalhar a nível particular e, a esse nível, temos a ideia de que chegamos aqui e que mudamos tudo. Não digo a nível da junta, porque acompanhamos o pessoal no terreno, eles sabem o que fazem e trabalham e as coisas funcionam bem. Agora, a nível da câmara, nunca sei para onde é que me hei de virar e nunca sei a quem é que hei de pedir. Não digo a nível do presidente da câmara, mas digo a algum nível do departamento das obras e da vereação, ainda não sei a que portas é que hei de bater. De um lado mandam-me para o outro e do outro mandam-me para outro. E às vezes passo uma semana sem fazer nada e não resolvo as coisas. Sugiro que, à semelhança do autocarro da câmara, que tem um certo número de dias para trabalhar para cada freguesia, se faça o mesmo a outros níveis. Porque é que os arquitetos não passam pelas freguesias para ver o que é que está mal, a dar uma ajuda, a dar um apoio? Porque é que tenho de ir a um particular pedir um conselho técnico, quando eles nos podiam ajudar nesse sentido?

Como está a situação financeira da junta?
A situação está boa. As contas estão liquidadas, temos dinheiro para chegar ao fim do ano. Agora encontramos algumas coisas que temos que gerir de outra maneira; vamos tentar ser mais eficientes e mais economicistas e fazer com que as coisas funcionem.

Qual é o pilar de crescimento da freguesia e o que pode a junta fazer em concreto para apoiar o crescimento?
Estamos bem estruturados, mas podíamos estar melhor. Temos algumas empresas ligadas à construção que tiveram de ser reajustadas, mas entretanto também surgiram outras empresas. A Misericórdia absorveu muita gente, temos doces conventuais no Casal do Amaro, o Atelier do Doce; temos a Silveira & Machado que tem cerca de 60 funcionários, que se calhar é das maiores empresas da freguesia. O CEIA é um projeto turístico que está a avançar e que também está a absorver muita gente a nível de emprego. E depois temos a agricultura. A junta pode apoiar nesta parte através da melhoria dos caminhos agrícolas para facilitar a vida às pessoas. Além disso, temos tido um curso de noções básicas de saúde a funcionar na junta e se, posteriormente, aparecerem mais alguns cursos de formação profissional, mesmo a nível agrícola, poderemos disponibilizar as nossas instalações para que eles sejam realizados.

A câmara municipal pretende estabelecer um protocolo de descentralização de competências para as juntas de freguesia. Qual é a sua opinião sobre este projeto?
Esse protocolo é bem-vindo, mas penso que não nos podem dar só as despesas, têm que nos dar alguma parte das receitas. Não nos podem deixar só com aquela parte que é mais difícil de gerir; não nos podem deixar só os compromissos e as dificuldades. Mas estamos a trabalhar na descentralização, juntando-nos com outras freguesias.

4 respostas

  1. Não tem jeito eu sempre acabo voltando aqui quando
    preciso da informação correta. Obrigado mais uma vez. Vou
    compartilhar nas minhas redes sociais.

  2. Quando se fala em desorganização camarária, falta de informação, desresponsabilização dos serviços, inactividade e centralismo dos gabinetes, não se pode isentar de responsabilidades quem dirige, de facto, o aparelho da CMA. É que se o recém eleito Presidente da Junta nada deve a ninguém, e por ter tudo a provar, pode exigir mais e melhor a partir de uma folha em branco, o mesmo não se pode dizer do Presidente da Camara Municipal. Reeleito nas mesmas funções e na continuidade de todos os executivos que, ao que parece, e dezenas de anos depois, ainda não conseguiram organizar a estrutura edil ou tornar os técnicos pro-activos e eficientes no contacto com as povoações. É certo que ser eleito em lista única pelo partido omnipresente no concelho, não ajuda à liberdade de opinião de quem se depara com tamanha inoperância, em todo o caso, e fazendo boa nota da frontalidade em dizer o que se passa, deve o recém eleito Leonel Ribeiro ir ao fundo dos problemas e apontar a quem tem o poder executivo de os resolver, caso contrário este elencar de responsabilidades para mais não servirá do que para o desculpabilizar

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