“Antevisões da Educação em Portugal” no ciclo de debates “Controvérsias”

Foto por António Balau

Controversias_NóvoasiteTeve lugar esta quarta-feira, 1 de outubro, no auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré, mais uma palestra do ciclo de conferências “Controvérsias ao vivo no espaço público da educação e o legado de 40 anos de democracia”, que teve como tema as “Antevisões da Educação em Portugal. Entre futuros ameaçadores e futuros virtuosos”. António Nóvoa e Paulo Guinote foram os oradores convidados.

António Nóvoa, Professor do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa e reitor da Universidade de Lisboa, trouxe à Nazaré a sua reflexão sobre o futuro do ensino começando, com base numa outra, apresentada por um filósofo francês, que se referiu a três revoluções na história da humanidade, como a Revolução da escrita (que mudou tudo na vida do homem); a revolução do livro (do papel impresso, da tipografia, de Gutenberg) e a revolução digital (uma revolução cultural que está a mudar a nossa maneira de acedermos ao conhecimento, de comunicarmos e de aprendermos).

“Um novo ser humano está a nascer debaixo dos nossos olhos e perante alguma indiferença da nossa parte. Trata-se de uma geração que pensa de maneira diferente e que irá provocar a mudança, também, ao nível do ensino”, disse.

António Nóvoa apontou, de seguida, o “quadro negro”, a maior invenção tecnológica, que inventa a escola que temos hoje, para estabelecer a comparação do que se passou, até à atualidade, no ensino, e o que poderá vir a suceder, provocado pela inovação tecnológica.

“O quadro é um dispositivo vazio (instrumento didático), que define o espaço da sala de aula, da arrumação dos alunos nesse espaço”.

Sem ser um adepto fervoroso das novas tecnologias, “pela dispersão que provoca na atenção, das crianças e as afasta da leitura”, entre outras razões, António Nóvoa falou da “metáfora do dispositivo tecnológico (tablet)” para explicar que “onde (antes) havia um dispositivo vazio, há hoje um cheio, onde estão todos os conhecimentos, ao alcance de todos, o que transforma radicalmente o nosso conceito de pedagogia (transmissível, dando lugar a  uma outra que tem que ter como base o conhecimento) para uma pedagogia da inteligência (Edgar Morin)”.

“Obriga a que estejamos preparados para compreender o conhecimento, pelo que precisamos ainda mais de professores mais bem preparados”, explicou.

As mudanças em curso “vão ser mais rápidas do que podemos imaginar e é importante termos capacidade para as acompanhar”, alertou, acrescentando que “a mudança pode fazer-se connosco ou contra nós. Depende da nossa capacidade de renovação da escola pública”.

Por seu turno, Paulo Guinote caracterizou o momento atual na educação, falando da passagem efetuada num curto espaço de tempo de um entendimento da educação como fator de esperança, a base de desenvolvimento e progresso, um tesouro a descobrir, algo em que se deveria investir para um encargo, uma despesa (…) algo não suportável para todos”.

Contudo, e apesar de a escola ter mudado e das novas fases por que o processo de transmissão de conhecimento tem passado ao longo dos últimos anos, Paulo Guinote defendeu que “o professor está ao serviço do conhecimento e da transmissão de conhecimento entre gerações”.

“O papel do professor não é substituível por qualquer aparelho tecnológico. Este apenas nos desafia a ter uma função diferente”, destacou, na sua intervenção, adiantando que o técnico pode ser o ponto de informação do aluno.

“Vejo a tecnologia como um complemento muito útil à minha profissão e não um obstáculo”, que permite melhorar o meu trabalho”.

O ciclo “Controvérsias ao vivo no espaço público da educação e o legado de 40 anos de democracia” é uma ação acreditada para docentes e não docentes, com entrega de certificado de participação no final.

Contribuir para a compreensão do espaço público; promover o espaço cultural formativo no qual seja possível reavivar a tradição de tertúlia e da controvérsia em torno dos temas estruturantes da educação em Portugal; suscitar, no espaço público da educação, a avaliação critica relativa a questões educativas; introduzir a aplicação dos ensinamentos e virtudes das controvérsias na dimensão do trabalho letivo e no desenvolvimento dos formandos como pessoas e profissionais da educação, são alguns dos objetivos deste novo ciclo de debates, que irão decorrer na Biblioteca Municipal.

Trata-se de uma organização do Centro de Formação da Associação de Escolas dos concelhos de Alcobaça e Nazaré, UGT-Leiria; Câmara Municipal de Leiria; EPNazaré; Agrupamento de Escolas da Nazaré; Externato Dom Fuas Roupinho; ISCSP e Universidade de Lisboa, conta como Media Partners com o Região da Nazaré; Jornal das Caldas; Oeste Global e Região de Leiria; e com os parceiros Hotel Maré; Hotel Praia; Miramar HOTELS; Sindicato dos Professores de Zona Centro.

A próxima sessão será a 22 de outubro, em Lisboa. Os interessados deverão proceder à inscrição prévia, junto do Centro de Formação da Associação de Escolas dos concelhos de Alcobaça e Nazaré.

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