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Aquilo que é

Aquilo que é a língua portuguesa deixa-nos às vezes confundidos com aquilo que é a forma de falar de uns tantos. Modas… Começa nos meios de comunicação falados, TV e Rádio. Há uns tempos apareceu uma moda que ainda se vai mantendo um pouco e que é o arrastamento de um a fechado. Assim: “O a… desafio de futebol entre o a… Porto e o a… Benfica disputou-se no a… Estádio das Antas”. Isto começa muitas vezes na linguagem desportiva e passa a ser geral. Ainda hoje alguns jornalistas nos brindam, nos noticiários, com o a… tipo de linguagem deste género.
Agora está em moda “aquilo que é”, “aquilo que foi”, “aquilo que vai ser”, e por aí fora. Esta é uma expressão que fica bem como partícula de realce, quando se pretende mesmo realçar. “Aquilo que é ou aquilo que foi uma calamidade devastadora…”. Realçou-se a frase com a expressão “aquilo que” – tudo bem. Mas não é isso que acontece na linguagem corrente, pois aquilo que é um desafio de futebol bem disputado, não pressupõe aquilo que é uma arbitragem infeliz, nem aquilo que foi uma segunda parte menos conseguida. Veremos aquilo que vai ser na próxima jornada. Pois. Isto começou na linguagem desportiva mas já invadiu outros domínios. Até aquilo que são responsáveis políticos já utilizam com frequência aquilo que é esta maneira de falar. Por isso, há poucos dias, estive entretido com um familiar, a contar as vezes que aquilo que são comentadores, políticos, jornalistas, diziam aquilo que era a sua verdade sobre aquilo que foi a intromissão de um indivíduo, um hacker, naquilo que é a privacidade pessoal de cada um, mas que resultou afinal naquilo que é designado por Futebol Leaks e por Luanda Leaks.

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