Opinião

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Campanha alegre, mau exemplo

Numa altura em que a pandemia se abate duma forma brutal sobre nós, numa altura de confinamento que deveria ser levado a sério por todos, assistimos à continuação da campanha presidencial, isto é, assistimos ao mau exemplo dado por aqueles que pretendem exercer um alto cargo no país. A campanha continua, alegre, indiferente aos perigos, com os candidatos a gozar (é o termo) com todos nós. De entre eles, apenas dois se têm contido um pouco: um, o possível vencedor, Marcelo, e o outro, o improvável Tino de Rans. Todos os restantes candidatos continuam, alegremente, na pista do perigo da contaminação – para quê? (Então, os que se autointitulam como antissistema, cuidado com eles!) Para quê, se as intenções de voto estarão, por esta altura, mais do que definidas?! Não há dúvida: o povo português tem de agradecer este “bom exemplo” dado por candidatos, à esquerda e à direita.
Um outro aspeto a considerar (ou que deveria ter sido considerado) é o adiamento das eleições. Porque não? O caso do Natal é paradigmático. A população não se mostrou digna da abertura dada pelos governantes, não cumpriu minimamente as recomendações, e deu a indicação de que só lá vai com a lei do chicote. Ora, a democracia também contempla esta lei. Não é necessário mudar o sistema. O sistema, diria Winston Churchill, não será bom, mas é o menos mau de quantos se conhecem, e daí que, quando aparecem políticos contra o sistema, há que ficar de pé atrás. Pois, caros leitores, não viria mal ao mundo se as eleições do próximo domingo fossem adiadas para melhor data. De contrário, vamos ter mais infeções, mais mortes, mais sobrecarga para um serviço de saúde que já atingiu o limite e que, diga-se, se tem comportado muito acima do que seria de esperar. Bem gostaria que este meu presságio se não confirmasse, mas, infelizmente, temo o pior, com uma multidão a ir às urnas colocar o papelinho do voto.

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