Carlos Guerra. “O candidato do PSD devia ‘zarpar’”

PERFIL

Nome: Carlos Manuel Almeida Guerra

Idade: 62 anos

Naturalidade: Santa Catarina, Caldas da Rainha

Formação académica: Licenciatura em Proteção Civil

Atividade profissional: Comandante Operacional Distrital

Lema de vida: “Servir os outros”

Porque se candidata e que capacidades o diferenciam?

Candidato-me porque tenho experiência e conhecimentos para enfrentar, com confiança, esta grande missão de ser presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, ao serviço dos meus conterrâneos, neste concelho que amo.

Candidato-me porque, para mim, a política é o serviço às pessoas, à comunidade, e tenho visto que nos últimos anos essa política não tem sido colocada ao serviço dos cidadãos.

Candidato-me porque estou comprometido em lutar por um futuro melhor para todos:

Comprometido e envolvido em todos os projetos e mudanças que conduzam o concelho de Alcobaça a um maior desenvolvimento;

Comprometido com o respeito pelo passado, ao qual não podemos nem devemos renunciar, mas sobretudo comprometido em corrigir alguns dos erros do passado e em construir um futuro melhor.

A minha diferença em relação aos outros candidatos, sou eu mesmo.

Sei que posso fazer mais e melhor!

Não tenho sobre mim algum peso de uma qualquer clientela. A minha conduta, alicerçada nos princípios da confiança, do rigor, da lealdade, da responsabilidade e da solidariedade, são o mais claro sinal de que farei, no desempenho de presidente da câmara, um serviço de excelência às pessoas do meu concelho.

Tudo a que me proponho, como presidente da câmara, não o poderei conseguir sozinho. Por isso acompanha-me uma equipa dinâmica, empenhada, de provas dadas, que fará desta eleição um compromisso de trabalho conjunto, por uma causa que nos é comum: ALCOBAÇA!

A candidatura independente de Rui Alexandre não atesta a divisão de uma concelhia que não soube unir-se para bater 24 anos de gestão PSD?

Rui Alexandre é um problema do partido Nós, Cidadãos e não do Partido Socialista.

O PS está unido, e muito unido, em torno de todas as candidaturas.

Quais as suas prioridades?

Sabendo que os recursos são sempre finitos, nunca conseguindo satisfazer todas as necessidades, a gestão de recursos humanos e materiais é, foi e será, um dos principais motivos de controvérsia, desunião e crítica, cabendo a cada gestor planear e organizar os recursos disponíveis, de forma a encontrar a solução de boa administração mais indicada para cada caso, e tomar as decisões obrigatórias e necessárias para o interesse público.

O período muito difícil de pandemia, que vivemos e ainda não ultrapassámos, deixou marcas profundas na sociedade, pelo que a gestão dos recursos financeiros da Câmara Municipal terá de ser vocacionada agora para as famílias, para o setor social, para o apoio à criação de emprego, à manutenção e sustentabilidade do comércio e empresas do concelho, canalizando assim todas as nossas energias para o retomar e acelerar da atividade económica e social do concelho.

Nos diferentes níveis de gestão autárquica, Câmara Municipal e Juntas de Freguesia, assumiremos uma gestão partilhada e responsável dos recursos, com a criação de um gabinete de gestão autárquica, na dependência do presidente de câmara, para auscultação permanente aos presidentes de junta. Para além deste compromisso de audição, caberá a este gabinete a ligação entre as juntas de freguesia e os diferentes serviços municipais, minorando os tempos de resposta e decisão, uma das mais reclamadas urgências dos presidentes de Juntas de Freguesia.

Quanto a outras medidas, promoveremos programas de qualificação e formação dos colaboradores da administração autárquica; valorizaremos o Conselho Municipal da Juventude, enquanto espaço de debate de ideias e oportunidades de investigação e desenvolvimento; implementaremos o orçamento participativo jovem, destinado a projetos de I&D; apoiaremos as IPSS e outras instituições de solidariedade na reabilitação dos equipamentos e criação de novas valências; estabeleceremos parcerias com as Autoridades de Saúde e Segurança Social, no sentido de encontrar as melhores soluções ao nível dos centros de saúde e de unidades de cuidados continuados, de forma a garantir uma saúde de proximidade; protocolaremos maior autonomia para as escolas e agrupamentos; reformularemos a rede de transportes escolares; criaremos o Conselho Municipal do Desporto, enquanto órgão de consulta, diálogo e coordenação da política desportiva municipal, com a participação das autarquias, agentes desportivos e associações desportivas; promoveremos anualmente um congresso para discussão das atividades culturais do Município; além de outras.

Em setembro apresentaremos um projeto de trabalho com 100 medidas para os primeiros 100 dias de mandato na Câmara Municipal.

Como contrariar a perda de habitantes? Como tornar o concelho mais atrativo e competitivo?

O principal objetivo desta candidatura e da governação da Câmara Municipal, serão as PESSOAS. É para nós claro que, sem políticas objetivas de emprego, habitação, saúde e educação, não poderemos construir um concelho próspero e dinâmico. Foi por falta destas políticas que o concelho tem vindo a perder continuadamente habitantes, sobretudo jovens.

Como objetivo imediato, será constituída uma Equipa multidisciplinar para estudar e propor medidas de apoio à criação de emprego de qualidade e desenvolvimento de parques tecnológicos, de modo a fixar jovens qualificados e altamente qualificados.

Ao mesmo tempo, apoiaremos a política de arrendamento, com a atribuição de subsídios mensais a jovens que se fixem no município.

Potenciaremos o Conselho Municipal da Juventude, na discussão e realização de ideias e oportunidades de investigação e desenvolvimento, numa estreita ligação com universidades e polos de investigação, tornando desta forma apetecível o trabalho dos jovens no nosso concelho.

A diferenciação e competitividade do concelho tem de ser um desígnio transversal a todos os setores de atividade e, para isso, é necessário envolver todos. Para esse empenhamento, criaremos o Conselho Económico e Social do Concelho de Alcobaça, como órgão de consulta, concertação e estudo no domínio das políticas económicas e sociais do Município, envolvendo os empresários, comerciantes, associações e os outros agentes económicos e sociais, criando assim um novo modelo de gestão, alicerçado num regular programa de eventos que valorizem as marcas, o património e a cultura, numa conexão perfeita entre a sociedade e o setor económico.

O que faria no âmbito do património, agora com o Mosteiro de Alcobaça na lista da UNESCO de Património Mundial em Risco, com as obras em curso para instalação do hotel?

Nos últimos anos, Alcobaça tem estado refém do seu Mosteiro, tanto no aspeto patrimonial como de turismo. As grandes opções feitas em torno deste monumento não têm trazido à cidade de Alcobaça o desejado fluxo de visitantes, pelo que é urgente que se alterem as políticas de turismo e rotas de monumentos. Sabendo da grandeza da Ordem de Cister, é necessário transpor esse grande valor para potenciar os outros monumentos do concelho, criando rotas e percursos turísticos da serra até ao mar, baseados em rotas temáticas e estimulando o turismo de habitação, este último integrado numa recuperação de espaços rurais.

Embora considerando o Mosteiro de Alcobaça como charneira de qualquer rota turística, o turismo não pode ficar refém do nosso mosteiro, pelo que envolveremos todas as entidades, públicas e privadas, de forma a que o turismo em Alcobaça não se resuma a uma visita de curta duração ao Mosteiro, mas sim a um dia turístico no município de Alcobaça, englobando o turismo industrial, agrícola, a montanha, o mar, a gastronomia e os monumentos. 

Quanto ao risco do Mosteiro, este é reflexo do desinvestimento feito na sua manutenção, aliás como também em outros monumentos do concelho, veja-se o caso do Mosteiro de Coz. No entanto, julgo não estar em risco a situação de desclassificação de Património Mundial. A acontecer, seria muito mau para aqueles que têm tido a responsabilidade da sua manutenção.

Nesta matéria, é importante referir também que, as atuais obras no Mosteiro e a construção do hotel, podem minorar alguns riscos existentes, subsistindo, no entanto, a necessidade de obras de requalificação do espaço exterior, como a reparação da camada de saibro e a colocação de iluminação.

O que faria para a comunidade católica de Alcobaça ter, como dita a lei, afetação permanente ao culto e acesso ao Mosteiro, que é hoje a Igreja Paroquial, depois de três igrejas mandadas demolir no séc. XX?

Como declaração de interesse, digo que sou católico. Mas não é por isso que deixaremos de considerar também as outras confissões religiosas como parte integrante da nossa sociedade.

Neste aspeto particular, tivemos oportunidade de reunir recentemente com o Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa e alguns Párocos do nosso concelho, e não sentimos qualquer litígio na relação entre a Igreja e o poder local.

É certo que é exigida uma separação de poderes, entre a Igreja e o poder local, mas não será por essa separação que deixaremos de apoiar as iniciativas relacionadas com a fé, e muito menos interferir naquelas que são as competências da igreja católica e das outras confissões religiosas. 

Quanto ao uso dos monumentos para cerimónias religiosas, esta é uma decisão que caberá às estruturas da Igreja e não será a Câmara Municipal que se irá opor. No entanto, terá de se ter sempre em consideração a utilização desses monumentos para outro tipo de atividades, nomeadamente culturais, o que implica uma coordenação entre as diferentes entidades, algo que até esta data se tem mostrado eficiente.

Que repto tem a dirigir aos seus opositores?

O repto aos meus adversários é de que, durante esta campanha, se mantenha a elevação, a seriedade e a verdade nas ações de campanha. Infelizmente, temos assistido e têm-nos sido relatadas situações que em nada abonam a dignidade e a nobreza dos atos praticados. E não é isso que os eleitores esperam dos candidatos.

Da minha parte, rejeito os jogos do poder pelo poder e tenho desconsideração por quem usa o poder para coagir consciências e conquistar votos, utilizando cargos, funções e dinheiros públicos.

Para mim e para a minha equipa, a politica – e esta candidatura – é um trabalho e uma luta pelo bem comum, por uma sociedade mais igual, mais fraterna e mais feliz. Espero sinceramente que os outros candidatos também pensem assim.

Por que devem os eleitores votar em si?

Sou um candidato a presidente com grande experiência de liderança e cuja vida profissional é uma missão em prol das pessoas.

Os tempos mudaram. Hoje os Municípios, em vez de se preocuparem só com obras e mais obras, apostam no apoio direto às famílias e às pessoas e em estratégias de desenvolvimento integrado. Assumiremos um plano estratégico de afirmação e desenvolvimento do concelho, garante da qualidade de vida e do bem-comum que queremos garantir.

O voto em mim, e no PS, é um voto num projeto de serviço e de trabalho pelas pessoas e pelo concelho, um voto num projeto inovador e aberto ao futuro, um voto num projeto que quer uma Câmara Municipal a apoiar as famílias, as associações, as empresas e as juntas de freguesia.

Ao fim de 24 anos de poder, o PSD apresenta agora um candidato desgastado. Um candidato sem competência nem capacidade de inovar. Um candidato do poder pelo poder. Um candidato a prazo, pela possível perda de mandato. Um candidato com atribulações várias no seu percurso de 24 anos. Um candidato opressivo de consciências e pensamentos. Um candidato que deveria, na verdade, “embalar a trouxa e zarpar”.

Por todas estas razões, e porque não devemos prolongar esta agonia no tempo, a 26 de setembro cada eleitor fará história com o seu voto, dando a vitória ao PS.

A entrevista foi concedida por escrito.

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