Contradições

Ana Caldeira
Diretora do jornal O ALCOA

Com a gravíssima ameaça aos direitos humanos pelos Talibã, no Afeganistão, em Portugal discutiu-se a «misoginia» de S. Paulo.

O que me fez pensar em tantas posições dogmáticas que o magnífico texto do jornalista Luís Ribeiro da “Visão”, de junho de 2019, tão bem ilustra. Vale a pena ler na íntegra online e pensar como é importante pensar de forma esclarecida e imparcial:
“O ambientalista simplório quer acabar com os combustíveis fósseis. Quer energia limpa, sem emissões de gases com efeito de estufa. Mas não quer barragens, porque as barragens destroem ecossistemas. Não quer eólicas, porque as ‘ventoinhas’ estragam paisagens e perturbam os animais. Não quer energia nuclear, porque produz lixo radioativo. O ambientalista simplório quer florestas porque precisamos de árvores (…). Mas quer escolher as árvores. Não quer eucaliptos, não quer floresta de produção. Quer a floresta do Capuchinho Vermelho, porque sempre viveu na cidade e julga que as florestas são assim. Quer dizer a cada proprietário o que pode plantar e ainda obrigá-lo a tratar do terreno, num serviço gratuito, abnegado, para benefício da ‘sociedade’. (…) O ambientalista simplório quer acabar com os jardins zoológicos, porque, não, os animais não podem estar em cativeiro, fechados a vida toda num espaço limitado. Mas abre uma exceção para gatos e cães (e coelhos, vá), menos animais do que os outros. Esses podem viver quase desde que nascem até ao dia em que morrem trancados num apartamento de 50 metros quadrados (…) O ambientalista simplório só cozinha com azeite (…). Mas vocifera contra os olivais intensivos no Alentejo. Produzir azeite em grande quantidade é a única forma de lhe baixar o preço e torná-lo acessível a todos? (…) O ambientalista simplório quer comer peixe. Mas não pode ser capturado no mar, porque a pesca não é sustentável, e não pode ser de aquacultura, porque tem antibióticos (…) O ambientalista simplório quer que haja mais carros elétricos nas estradas. Mas é contra a prospeção de lítio, essa insustentável fonte de poluição do ar, dos solos, das águas, e escreve-o nas redes sociais, teclando furiosamente no seu telemóvel com bateria de lítio”.

Ana Caldeira
Diretora do jornal O ALCOA

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