Opinião

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É uma marca… não estraguem!

Já vi de tudo. “Património Mundial”, “Património da Humanidade”, “Património Mundial da Humanidade”. Em que é que ficamos?
Aprendi, nas minhas já longínquas aulas de Direito Internacional Público, que o “Património Comum da Humanidade”, anunciado por Arvid Pardo em 1967 num discurso às Nações Unidas, era constituído pelo fundo dos oceanos, o interior da terra e o espaço. Concordo com os estudiosos que defendem que esse belo conceito de “Património Comum da Humanidade” inspirou a UNESCO (Organização para a Cultura, Ciência e Educação das Nações Unidas) na criação das suas listas de Património Mundial. Mas convenhamos: “Património Comum da Humanidade” é um «pouco» diferente de “Património Mundial da Humanidade”. Esta última enunciação é perfeitamente redundante. Como é a designação da UNESCO? “Patrimoine Mondial”, “World Heritage”. O que figura, por exemplo, na inscrição da UNESCO no Mosteiro de Alcobaça? “Património Mundial”. Pois assim é que é!
Então para quê estas inúmeras
variantes naquela que é uma designação oficial e uma marca?
“Património Mundial, da Humanidade” seria admissível numa comunicação, para enfatizar a sua abrangência, nunca como designação. Assim, é surpreendente que a própria Direção-Geral do Património Cultural tenha criado a rota dos “Mosteiros Património Mundial da Humanidade”. Sendo esta designação tão pleonástica como “subir para cima”, etc., espanta vê-la num organismo governamental e da Cultura (!). E a surpresa é dupla quando “Património Mundial” se trata de uma marca (assim reconhecida no estrangeiro e por quem nos visita). O hoteleiro de Fátima Alexandre Marto, em junho de 2014, num debate na Granja de Cister, dizia que na região e pela sua experiência, para além de Fátima, a única marca turística que «vende» no estrangeiro (que tem capacidade atrativa internacional) é o “Património Mundial”.
Quer a linguística, quer o mar-
keting rejeitam estas variações sem nexo. O nome da marca tem valor em si mesmo; deve fixar-se e proteger-se.
Não confundam! Não estraguem!

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