Opinião

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Estado – Que Valores?

A crise económica/financeira que vivemos nos dias de hoje iniciou-se, nas democracias ocidentais, há aproximadamente uma década. No primeiro embate, para colmatar as dificuldades, os responsáveis europeus, entenderam, que o crescimento económico deveria ser suportado por maior intervenção do Estado na economia, através de políticas de incentivo ao investimento público.
O Estado foi, assim, chamado no sentido de sustentar uma alavancagem financeira, que originou a construção de mercados artificiais, que serviram, essencialmente, para duplicar a divida pública dos respetivos países.
Desta forma, como o crescimento económico não se deveu à fluidez dos mercados, no âmbito da livre concorrência e iniciativa privada, o resultado alcançado veio a traduzir-se na captura do Estado pelos grandes grupos económicos, que para “abrilhantarem” as suas contas, foram passando a fatura ao erário publico.
Pelo que, não foi de estranhar, que em nome do crescimento económico e da sustentabilidade dos mercados, o Estado se tenha endividado para além daquilo que é razoável e aceitável.
Mas o grande paradigma, tanto na Europa como nos EUA, reside nos agentes que encaminharam os Estados para uma situação altamente deficitária, serem os mesmos que oferecem os préstimos, para estudar as formas do Estado sair da economia porque já não aguenta mais gastos.
O capitalismo social de mercado, com a componente humana presente, que se tornou no melhor modelo para proteger a vida em sociedade aberta e garantir a liberdade, paz e prosperidade, tem-se transformado num capitalismo financeiro, sedento de resultados imediatos, ao sabor dos mercados, desprovidos de sentimento, personalidade, amor ou fé.
Para o futuro, ficam, no entanto, encontrados princípios básicos para uma boa governação: respeitar os interesses dos cidadãos e não os das corporações, manter o equilíbrio das contas públicas para que se possa ajudar aqueles que de facto necessitam e aplicar uma regra simples de vida, é preciso trabalhar e poupar antes de fazer a festa.

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