Francisco dixit

Ana Caldeira
Diretora do jornal O ALCOA

“E ele levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egipto” (Mt 2, 14).

José, Maria e Jesus também foram refugiados. Pobres. Rejeitados. Natal é tempo de abrir as portas. Natal é tempo de rezar e pugnar pela paz nos países daqueles que partem e queriam ficar na sua terra, construindo o seu futuro com o seu povo.

Durante a visita ao campo de refugiados de Kara Tepe em Lesbos, este domingo, o Papa Francisco, na sua 35ª Viagem Apostólica, chamou a atenção do mundo. Para todos os pobres. Contra toda a indiferença. Eis a sua voz que clamou no deserto, que é o mundo indivualista em que vivemos:

“É uma questão para o mundo inteiro: uma crise humanitária que diz respeito a todos. A pandemia teve um impacto global; fez-nos perceber que estamos todos no mesmo barco; fez-nos experimentar o que significa ter medos idênticos. Chegámos à conclusão de que as grandes questões devem ser enfrentadas em conjunto, uma vez que no mundo de hoje as soluções fragmentadas são inadequadas. No entanto, enquanto trabalhamos para vacinar pessoas em todo o mundo e, apesar de muitos atrasos e hesitações, estão a ser feitos progressos na luta contra as alterações climáticas, tudo isto parece estar terrivelmente ausente quando se trata da migração. No entanto, vidas humanas, pessoas reais, estão em jogo! O futuro de todos nós está em jogo, e esse futuro só será pacífico se for integrado. Só se for reconciliado com os mais vulneráveis é que o futuro será próspero. (…) Irmãs e irmãos, os vossos rostos e os vossos olhos pedem-nos que não olhemos para o outro lado, que não neguemos a nossa humanidade comum, mas que façamos nossas as vossas experiências e que estejamos atentos à vossa dramática situação (…) Neste domingo, peço a Deus que nos desperte do nosso desprezo por aqueles que sofrem, que nos sacuda de um individualismo que exclui outros, que desperte corações surdos às necessidades dos nossos próximos. Peço a cada homem e mulher, a todos nós, que superemos a paralisia do medo, a indiferença que mata, o desrespeito cínico que condena indiferentemente à morte aqueles que estão à margem!”.

Ana Caldeira
Diretora do jornal O ALCOA

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