“No Externato não existe a tradição das praxes e espero sinceramente que nunca venha a existir”

Foto por Sara Susano

Nuno Rosa é, desde o início de 2014, o novo diretor do Externato Cooperativo da Benedita (ECB), falou sobre o seu projeto para o estabelecimento de ensino. O professor de Matemática, que ali trabalha há 21 anos e que integra a direção desde 2003, em entrevista a’ O ALCOA, dá a conhecer projetos e aspirações.

PERFIL
Nome: Nuno Manuel Lopes Rosa
Data de nascimento: 3 de fevereiro de 1969
Formação Académica: Licenciatura em Engenharia Mecânica. Profissionalização em serviço no Ensino de Matemática. Conclusão do 1º ano do Mestrado em Gestão Escolar.

O que o motivou a aceitar este desafio?
O que me levou a aceitar este desafio foi, em primeiro lugar, a confiança e o incentivo do meu antecessor, o dr. Alfredo Lopes. Para mim, trata-se de um desafio aliciante dar continuidade ao seu projeto pedagógico, procurando sempre que possível melhorá-lo e ajustá-lo às mudanças dos novos tempos.

Que projeto tem para o ECB?
É projeto essencialmente de continuidade. No entanto, procurarei melhorar e ajustar alguns aspetos. Nesta fase inicial, serão apenas pequenos ajustes que refletem a minha forma de olhar e ver as coisas. A minha principal preocupação será a educação, a formação e o sucesso dos nossos alunos, pois esse é também o nosso sucesso. Quero uma escola cada vez melhor. Claro que é preciso apelar à responsabilidade dos alunos, pois por melhores que sejam os professores, por mais dedicados que sejam os pais e por melhores que sejam as condições que a escola ofereça, a verdade é que se os alunos não quiserem trabalhar dificilmente serão bem sucedidos. Mas eu acredito no nosso potencial. No potencial dos nossos dirigentes, dos nossos professores, dos nossos funcionários e, especialmente, dos nossos alunos. Acredito também que com a colaboração de todos os agentes educativos, é possível convencer os alunos das vantagens que a educação proporciona e melhorar todos os dias um pouco mais. Estou convencido que no futuro o ECB continuará a ser uma escola de referência na região.

Como avalia a direção de Alfredo Lopes?
A avaliação que faço dos dez anos da direção do Dr. Alfredo é muito positiva. Evidentemente, estou a ser um pouco juiz em causa própria pois estou a avaliar o trabalho de uma equipa liderada pelo dr. Alfredo da qual fiz parte desde a primeira hora. Mas basta recordar o que era o ECB há dez anos para ter a certeza que o Externato é hoje uma escola bem diferente. Saliento a informatização da elaboração dos horários; os investimentos em tecnologia; a estruturação e funcionamento do Centro Cultural Gonçalves Sapinho; o processo de certificação da qualidade; o impulso dado ao ensino especial que tornou a nossa escola também especial; os projetos de solidariedade, como o Sorriso Amigo e outros com forte impacto na comunidade; o incentivo dado às atividades culturais das quais destaco a feira do livro e o teatro; os projetos que surgiram de parcerias com instituições de ensino superior; isto entre muitos outros aspetos que fazem da escola, aquilo que ela é hoje. Pretendo manter esta dinâmica para o futuro, tentando apoiar e acarinhar os projetos que tragam mais-valias para os nossos alunos e para a comunidade local.

No curto prazo, que prioridade tem para a gestão e direção da escola?
Sendo o sucesso dos nossos alunos a minha principal preocupação, irei propor a criação de um sistema eficaz que permita aferir a qualidade das aprendizagens e monitorizar o progresso dos nossos alunos de forma a detetar atempadamente os casos problemáticos e ajustar as estratégias que levem à recuperação do maior número de casos possível. Para o próximo ano letivo, proponho uma alteração profunda na organização dos apoios, na seleção dos alunos que os frequentam e na monitorização dos seus progressos. Muitos alunos acham que não precisam de estudar porque os media e a sociedade em geral parecem passar a mensagem de que se pode ser bem sucedido sem trabalhar. São muitas vezes estes alunos os responsáveis pela pequena indisciplina que invade grande parte das salas de aula e que acaba por provocar um desgaste muito significativo nos professores e nos restantes colegas com reflexos evidentes no rendimento global das turmas. Este é um dos obstáculos à concretização dos objetivos que referi anteriormente. Um outro obstáculo são os constrangimentos financeiros impostos pelo Ministério da Educação e Ciência que irão implicar uma restruturação dolorosa mas necessária no ECB.

Que opinião tem acerca de todas as mudanças que têm ocorrido a nível do ensino?
Julgo que se tem menosprezado a Educação. Parece que as mudanças são condicionadas apenas pela crise económica. Arranjam-se estudos e argumentos inqualificáveis para se justificarem certas medidas, como o aumento do número de alunos por turma ou os ajustes nos currículos, mas por detrás está sempre o fator  económico. Nota-se ainda alguma falta de organização que faz com que a legislação saia demasiado tarde, condicionando muito o regular funcionamento das escolas. Além disso, os serviços do ministério continuam a demonstrar também uma certa prepotência, por exemplo, ao exigirem às escolas o cumprimento de determinadas obrigações em prazos absolutamente absurdos.

Como perspetiva a escola do futuro?
A escola tem uma missão complexa e cada vez mais exigente. Os pais delegam na escola quase toda a educação dos seus filhos. Também as novas Tecnologias da Informação e Comunicação vieram criar novos desafios à escola. Tudo isto exige da escola uma enorme capacidade de adaptação à mudança. No limite há até quem defenda o fim da escola tal como a conhecemos hoje em dia. Não é essa a minha opinião. Continuo a defender que a escola do futuro se vai construindo de acordo com o contexto cultural, ideológico e político envolvente. Não acredito na substituição dos professores por computadores mas sim numa escola diferente baseada em princípios mais humanistas e democráticos.

Qual a sua opinião sobre as praxes?
Não tenho uma opinião muito favorável relativamente às praxes. Ao contrário de outros, nunca as vi como elemento integrador dos novos alunos. Vejo-as antes como um exemplo de comportamentos algo desadequados que muitas vezes resultam em situações anormais. Felizmente não existe essa tradição no externato e, sinceramente, espero que nunca venha a existir.

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