Nuclear, porque não?

Nelson José Faustino
Professor da Un. de Coimbra

Quando Lena D’Água lançou a música “Nuclear não, obrigado” em 1982 estava longe de imaginar que os investimentos avultados em energias renováveis nas últimas décadas seriam insuficientes para descarbonizar a economia [portuguesa]. Ela e todos nós, incluindo um senhor vereador eleito que vive do ar…

O pânico em que as nossas vidas mergulharam nas últimas semanas com os aumentos progressivos do preço do barril de petróleo é apenas um sinal de alerta. Para mantermos o nosso estilo de vida, precisamos de energia em abundância e barata: sem ela, as casas congelam e os [pequenos] negócios paralisam.

Há quem possa vir a argumentar – eventualmente, o senhor que vive do ar – que trocar uma frota de carros a diesel/gasolina por carros elétricos resolverá parte do problema. Pura falácia!

Embora o carro elétrico produza menos gases poluentes do que um carro a diesel/gasolina, este ainda polui demasiado na fase de produção. Muito devido à extração de matérias-primas fundamentais para produção de baterias, como cobre e níquel. E estas são, de momento, escassas pelos mais variados fatores.

O que nos resta? Eu diria equacionarmos a implementação de reatores nucleares de fusão para gerar energia. Primeiro, porque é uma energia renovável. Depois, porque o mecanismo de fusão nuclear não emite dióxido de carbono: apenas hélio, que não é tóxico em estado inerte. Acresce ainda que países como a China já anunciaram que o seu processo de descarbonização, até 2050, passará pela substituição de energias fósseis por energia nuclear.

Aos incrédulos da adoção de energia nuclear, nunca é demais recordar a resposta de Michael Faraday, por volta de 1850, ao responsável das finanças britânicas sobre o valor prático de uma descoberta que dava pelo nome de eletricidade: “Não sei Senhor, mas um dia você poderá taxá-la”.

Nelson José Faustino
Professor da Un. de Coimbra

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