O meu filho é sobredotado, isso é uma coisa má? (II)

Toca para a saída. Finalmente, pensava Carlos. Questionava-se sobre a duração do tempo e na forma como ele o afetava e o deixava angustiado. O tempo não pode ter este peso, quando estou no Scratch(1) nem jantar me apetece, o tempo evapora-se. Bem, vou até ao recreio e apanhar um pouco de energia solar… chapéu de chuva, painel solar portátil, condensador, bateria do meu computador… bem, isso, já sei o que fazer no intervalo! Se cada um destes miúdos captasse energia solar através da roupa e descarregasse numa bateria em casa podia poupar energia elétrica e os recursos energéticos do planeta. João chamou Carlos para jogar à bola, mas Carlos respondeu-lhe, como sempre, que não.
Muitas vezes incompreendidos pelos seus pares, muitos sobredotados acabam por não ter a mesma oportunidade de desenvolver competências sociais, sentem um certo isolamento e possuem interesses muito diferentes das crianças da sua idade. Muitos preferem atividades mais intelectuais e por isso desenvolvem menos a destreza motora do que os colegas e recusam atividades físicas por se sentirem frustrados por poderem falhar. Mais um aspeto em que o seu perfecionismo afeta o seu desenvolvimento. Por isso é importante que sejam valorizados por aquilo que são e não por aquilo que mostram saber. É necessário respeitar as suas angústias, muitas vezes tão diferentes das nossas.

(1) É uma nova linguagem de programação criada no Media Lab do MIT para ajudar pessoas acima de 8 anos na aprendizagem de conceitos matemáticos e computacionais.

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