Opinião

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Papagaios, abutres e gente boa

As calamidades trazem sempre à tona qualidades e defeitos das gentes que as vivem. Aquela em que nos encontramos já nos “revelou” que há na sociedade civil – pessoas, empresas – muita gente boa, gente solidária. Também nos mostrou papagaios, que fariam sempre melhor do que está a ser feito, e abutres que sempre se alimentam das desgraças alheias (bastará olhar para as redes sociais). Há, para nosso conforto, em Portugal e no Mundo, gente que merece uma referência. EM PORTUGAL, lembro dois nomes que parecem esquecidos: o Dr. Rui Rio e o ministro Mário Centeno. O primeiro, líder da oposição, segue o apelo do Presidente da República e “rema para o mesmo lado” e assumiu já várias atitudes responsáveis. O segundo é o obreiro de umas Finanças Públicas em ordem, que parecem poder acomodar a primeira fase da catástrofe económico-financeira que vamos ter pela frente. Se fosse há 5, 10, 20, 30 anos atrás, seria o caos. NO MUNDO – o Papa Francisco. Frágil mas decidido, caminhava sozinho, a 26 de Março, na Praça de S. Pedro, sob chuva inclemente, para uma oração pela Humanidade. Proporcionou-nos uma imagem sublime! Ainda no Mundo, referência negativa de duas personagens (papagaios, abutres) que são os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil. Deles, porém, nada de bom se espera, pelo que não há grande surpresa. E a (desunida) EUROPA? Onde param as esperanças de Jacques Maritain e o seu contributo para o modelo social europeu, à luz da doutrina social da Igreja? Que é feito do desejo de Jean Monnet para uma Europa Unida? Ele, que escrevia em 1955: “Não haverá paz na Europa se os Estados se reconstruirem na base das soberanias nacionais”. Os holandeses sabem isto?
O tempo não é de papagaios nem de abutres, mas de reflexão, de apaziguamento e (para os crentes) de oração. Os papagaios começam a ver esgotadas as parcas palavras que lhes ensinaram e os abutres ainda vão ter tempo de se deliciar com as muitas vidas que, infelizmente, a pandemia vai ceifar.

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