Referências da minha região – Manuel Ângelo da Silva

Começo por esclarecer os leitores de que não poderei ser imparcial, no que toca ao perfil de alguns dos nomes que aqui trago, como é o caso de Manuel Ângelo da Silva, escolhido para hoje, ou Joaquim Marques Silvério, de que falarei posteriormente, pois foram meus avós (paterno e materno) que tive a honra de conhecer como exemplos de homens-bons. Sempre os admirei como referências para a minha vida e orgulho-me de os relembrar, apontando-os aos seus netos e bisnetos pelo mérito das suas vidas, tão diversas mulheres uma da outra.
Manuel Ângelo da Silva era filho de Matias Ângelo, um lagareiro da Ataíja de Cima, conhecido pelo lagar de azeite (Lagar dos Frades), mas também pelo zelo que dedicava aos seus olivais. Matias Ângelo era pouco letrado, mas procurou que os seus filhos aprendessem a ler e escrever. Manuel Ângelo da Silva foi um dos que cumpriu esse desígnio e esforçou-se por ir mais além, assumindo desde muito cedo alguns cargos no domínio militar e paramilitar, acabando por ser nomeado para o comando da Legião Portuguesa em Aljubarrota; foi Regedor (equivalente a Presidente da Junta de Freguesia, durante 40 anos); foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Aljubarrota (39 anos); foi vereador da Câmara Municipal de Alcobaça e mereceu um apontamento elogioso “in memoriam” n’O ALCOA (de que foi colaborador) assinado pelo saudoso Dr. Domingos José Soares Rebelo (edição nº 2050). Exerceu todos os cargos com dignidade, lealdade e patriotismo, acabando os seus dias na sua Quinta do Mogo, junto das filhas, que sempre o confortaram e apoiaram durante os 17 anos em que esteve viúvo de Luísa Rita Faustino, uma santa senhora que ainda recordo com imensa saudade, guardando dela as mais ternas memórias. Todavia, a melhor imagem que retenho do “Governador Civil de Aljubarrota” (ápodo de que nunca se livrou) é a de um homem que estava sempre pronto a acudir àqueles que lhe batiam à porta, aflitos, pelas mais diversas razões: pedidos de trabalho; pedidos de fiança perante o banco; pedidos para testemunhar em tribunal; escrever uma carta; pedir um conselho… Os mais desfavorecidos, à época, sabiam que a porta do Manuel Ângelo estava sempre aberta na defesa das causas que julgava justas. Daí, o carinho à despedida dos milhares de acompanhantes no dia do seu funeral, aos 79 anos, em 28 de Junho de 1984.

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