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S.O.S Património. Igreja Nossa Senhora da Luz

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A Igreja de Nossa Senhora da Luz, situada na Castanheira, na União das Freguesias de Coz, Montes e Alpedriz, tem a sua origem ligada à lenda da Fonte Santa. A fonte foi assim designada devido às propriedades milagrosas atribuídas às suas águas e, segundo a lenda, foi aí que apareceu Nossa Senhora da Luz, pela primeira vez, a uma velhinha de nome Catarina Annes, no ano de 1601. A fonte, localizada no sítio chamado de Vale de Deus, foi erguida depois de Catarina ter atendido o pedido de Nossa Senhora e aberto um fosso, onde começou a jorrar água cristalina. A água começou a ser conhecida, por curar enfermidades, tendo sido ali construída uma fonte em mármore, conhecida por Fonte Santa. Mais tarde, um fidalgo ilustre do conselho d’El Rei e credor de sua fazenda, chamado Damião Borges, como homenagem pelos benefícios recebidos, mandou edificar um santuário a dois quilómetros dali. O templo foi construído com arcadas em volta, para os romeiros, e foi consagrado a Nossa Senhora da Luz. Na capela-mor encontram-se as sepulturas de Catarina Annes, que residiu nesse templo nos últimos dois anos de vida, e de Damião Borges, que faleceu em 1617 e que ali também foi sepultado, a seu pedido.

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É esta igreja que se encontra há vários anos em risco. “Por se situar numa zona onde os solos são argilosos e por existir na proximidade uma lagoa, resultante da extração de uma pedreira, o santuário está a ser arrastado, com a igreja a abrir brechas constantemente e as pedras a deslocarem-se”, conforme descreveu a’O ALCOA José Augusto Carvalho, presidente da Confraria do Santíssimo Sacramento de Coz, apontando intervenções necessárias no telhado, no frontispício e na estacaria, esta última mais urgente, necessitando de ser reforçada com cimento injetado, para estabilização do solo. Não havendo fundos para essas obras, em janeiro deste ano avançaram com a ideia de candidatura a fundos comunitários. Para isto, pediram ajuda à Câmara Municipal de Alcobaça, com quem já reuniram, em conjunto com o pároco e o presidente da União de Freguesias. “Estivemos com o vereador Hermínio Rodrigues, da Câmara de Alcobaça, que acedeu ajudar-nos. Entretanto, os técnicos já foram ao terreno. O objetivo é fazer, pelo menos, intervenção ao nível da estacaria, o que por si só já não é fácil, uma vez que esses fundos nunca vão além dos cem mil euros e são apenas comparticipados em 80%”, destaca José Carvalho, esclarecendo que os custos de uma intervenção a este nível, vai sempre para além destes valores.
“Estamos na fase das avaliações, para submeter o projeto”, conclui o responsável, que vê, nesta ideia, uma «luz» para salvar este património.

 

Em socorro do nosso património

Em defesa do património ameaçado das Terras de Cister, o Jornal O ALCOA, através desta rubrica, irá mostrar tesouros desta região, que fazem parte da nossa identidade e memória. Uma rubrica que pretende chamar por socorro do nosso valioso património.

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