Se as pedras falassem…

Lúcia Serralheiro
Terra Mágica das Lendas

Nós, aqueduto da estrada desde a taberna do Luís Ferreira até à Caçuna, parecíamos um banco onde podia descansar quem por ali passava. Assinalávamos onde passavam as manilhas que conduziam as águas da chuva olival abaixo, rumo à Fonte da Senhora. Era lá que se fazia a feira dos porcos todos os meses, aos dias seis… Os transportes do gado acabaram por nos arrasar e mais tarde vimos acontecer o mesmo ao tanque d’água canalizada e com torneira, a que chamavam chafariz instalado em frente a meio caminho das tabernas do Fialho e do Diamantino. Soterrar é rápido. O chafariz tinha sempre uso. Admira que sendo tão útil tivesse assim de repente deixar de servir quem de água precisava, mesmo não sendo dias de feira. Nós pedras do tanque de água, que em boa altura a Junta de Freguesia decidiu colocar nos anos 70, fomos uma ajuda enorme a muitas pessoas animais que aqui passavam sobretudo nos dias 6 de cada mês. Haver água potável ao alcance de todos foi um grande avanço para a vida das pessoas. Agora estamos soterradas debaixo de um passeio de calçada portuguesa, onde se vê uma boca de incêndio para uso dos bombeiros. Uma bica de água é sempre um sinal de vida. Refresca quem lá passa e dá de beber a animais, insetos e aves. Numa terra que tanto lutou pelo saneamento básico e onde tanto tardou o abastecimento da água pública, por que razão não preservaram a memória de um pequeno tanque que tão bom serviço prestou à comunidade? A água não se pode desperdiçar. A nossa torneira de água facilitava os miúdos aguadeiros que se deslocavam à Fonte da Senhora com a sua bilha às costas e um púcaro na mão e que circulavam entre todos os feirantes, vendendo água fresca. Nem todos podiam ir até mim, desde o lugar onde hoje existem as escolas. Lá era a feira de gado bovino, caprino e ovino e respetivos camionistas era preciso levar a água. A todos o precioso líquido fazia falta. Se nada resta do tempo da Feira do dia seis, como recordar essa história, mãe da grande atividade económica da Benedita. Lúcia Serralheiro

Lúcia Serralheiro
Terra Mágica das Lendas

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