Opinião

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Se é Deus, vamos matá-Lo!

Um episódio do Evangelho, que ouvimos recentemente (Marcos 3, 1-6), é difícil de compreender para os humanos, fácil de entender para o demónio. Era um sábado, instituído por Deus como dia de descanso e de oração. Os fariseus desesperavam por um pretexto para acusar Jesus de blasfémia. Nisto, apareceu na sinagoga um homem com uma mão atrofiada. Parecia o cenário ideal para apanhar Jesus em falso… Infelizmente, para os fariseus, eles deviam saber que ninguém consegue passar rasteiras ao Mestre.
Jesus disse ao homem que tinha a mão atrofiada: “Levanta-te e vem aqui para o meio”. E desafiou diretamente os fariseus: “Será permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?”. A seguir, Jesus disse ao homem: “Estende a mão”. Ele estendeu-a e a mão ficou curada.
Até aqui, o episódio parece normal. Jesus faz mais um milagre, os fariseus não gostaram, mas não o conseguiram impedir. O habitual. A surpresa vem a seguir: os fariseus saíram dali para se reunir com os herodianos e deliberarem como haviam de O matar. Se Jesus não fosse Deus, não havia problema. A questão é que os fariseus não acreditavam nisso! Uma mão atrofiada não se cura sozinha! Os fariseus sabiam que Jesus fazia milagres e era Deus! Queriam matá-lo por isso. Para um demónio, isto é a coisa mais natural do mundo.
Nas Jornadas Mundiais da Juventude, no Panamá, Francisco falou aos jovens de unidade. Disse-lhes que o demónio tenta semear a divisão, a fé alimenta o espírito de unidade. Que o pai das mentiras prefere pessoas divididas e a brigarem e não gosta de pessoas que aprendem a trabalhar juntas. “O verdadeiro amor não elimina as diferenças legítimas, mas harmoniza-as numa unidade superior – e acrescentou – sabem de quem é esta frase? Do Papa Bento XVI, que está agora a ver-nos na televisão! Saudemo-lo todos, aplaudindo o Papa Bento!”. Francisco deu a pista e a multidão, do Panamá e de todo o mundo, correspondeu com o máximo de algazarra. Felizmente, no meio de tanto desconcerto, no mundo e na Igreja, por vezes saboreamos a grande alegria da unidade.
Esta Jornada Mundial da Juventude terminou de forma memorável: anunciando que a próxima edição vai decorrer em Portugal.

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