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Um conto de Natal | As dúvidas de Renato

Renato frequentava um curso superior, na cidade. Os pais viviam na aldeia. Eram crentes. Renato nem por isso. As aulas na Faculdade e a vida citadina agudizaram a sua descrença. Mais do que agnóstico, estava a tornar-se ateu. Um grupo de colegas, católicos, pediram certo dia a um padre, conhecido pela sua abertura aos problemas dos nossos dias, que fosse à faculdade proferir uma palestra sobre o Natal, que se aproximava. Renato interpelou os colegas: “ó da católica, vocês trazem cá um padre em vez de trazerem um historiador ou um cientista? Quer dizer, vem aí uma voz da crendice, e não uma voz da ciência…” Foi, no entanto, assistir à palestra.
O que ouviu, tocou-o.
O padre pareceu-lhe bem documentado sobre as questões do mundo moderno, senhor de boa cultura, e, quando se referia a Deus, chamava-Lhe o Criador. Achou graça e pensou que outros Lhe chamam o Grande Arquiteto do Universo… Renato era meio filósofo. Foi passar a quadra natalícia com a família. No dizer dos familiares, o presépio da igreja paroquial tinha nesse ano uma beleza artística invulgar. Foi observá-lo. Ao vê-lo, pensou: “lá bem concebido, está… mas não é tudo isto uma mistificação?” Ficou longamente a contemplar… o quê? O presépio? O vácuo? S. Francisco de Assis? E continuou a contemplar…
O que viu, tocou-o.
Disse para si, em voz baixa: “Isto aconteceu, não vale a pena argumentar. Aquele Menino cresceu, veio a ser um Ser anormalmente bom, de extrema humanidade. Filho de Deus? Ora… quem sou eu para duvidar?”
No regresso a casa, sentia-se flutuar no espaço, enquanto repetia para consigo: “Quem sou eu para duvidar?”

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