Opinião

Banner_PauloErnesto

Violência doméstica

A violência adquire variadas formas e expressões, desde a violência coletiva, na expressão de guerras; auto-infligida, no suicídio; violência interpessoal, entre parceiros; e a violência psicológica, social, sexual ou física. No ano passado, no nosso país, foram contabilizados 55 homicídios de mulheres e 22 outros casos de tentativa de homicídio por parte dos respetivos companheiros, o que enfatiza a necessidade de alerta.
O desenvolvimento de um quadro típico de violência doméstica decorre predominantemente num ciclo padronizado e em fases distintas. Num primeiro momento, assiste-se a um aumento de tensão com pressões acumuladas no quotidiano, acompanhadas de injúrias, assédio moral ou ameças por parte do agressor, criando uma sensação de perigo eminente na vítima. Numa fase seguinte, ocorre o ataque violento em que o agressor agride física e/ou psicologicamente a vítima, aumentando a violência do ato em frequência e intensidade. Na fase de «lua-de-mel», o agressor tenta manipular a vítima envolvendo-a emocionalmente, procurando redimir-se das agressões com promessas de mudança pessoal no futuro.
Há sinais e comportamentos que vão sendo revelados que podem indicar a presença de uma personalidade violenta e possessiva. A perceção antecipatória desses sinais, por parte das potenciais vítimas, deve levar a uma ação imediata de pedido de ajuda a entidades e instituições públicas.
O debate público desta temática e a denúncia de eventuais episódios de violência doméstica a todos diz respeito. Não tem a visibilidade desejada, como o número de golos de uma equipa de futebol, ou um debate político, mas merece a reflexão pública própria de uma pandemia, quanto mais não seja pelo número de vítimas que provoca. A crueldade em que as vítimas se veem envolvidas leva-as em muitos casos a suportarem durante demasiado tempo tal situação, seja por falta de condições financeiras ou por receio de comprometer a vida familiar e o afeto a que anseiam.

Outras notícias em Opinião

  • Jesus a espreguiçar-Se

    Quando o Papa fez 83 anos (17 de dezembro passado), ofereceram-lhe uma estampa que sintetiza o seu programa pastoral: a santidade “della porta accanto”, a…

  • Valores Sociais

    A doutrina social da Igreja (DSI) tem como orientações básicas seis princípios e quatro valores: os princípios, abordados nos artigos anteriores, são a dignidade humana,…

  • Seitas e Movimentos Religiosos

    Que as seitas são altamente prejudiciais à sociedade, todos reconhecem. Muitas pessoas, sobretudo entre os jovens, têm sido captadas por redes sectárias. Pensam, ingenuamente, que…

  • Um conto de Natal | As dúvidas de Renato

    Renato frequentava um curso superior, na cidade. Os pais viviam na aldeia. Eram crentes. Renato nem por isso. As aulas na Faculdade e a vida…

  • Princípios sociais, numa visão de conjunto

    Nos últimos artigos, foram apresentados os seis princípios da doutrina social da Igreja consagrados no respetivo Compêndio de 2004: dignidade humana; bem comum; destino universal…

  • A carta de Greccio

    S. Francisco de Assis foi pela primeira vez a Greccio por volta de 1209, numa altura em que a pequena cidade sofria o ataque de…

  • O Vaticano e as divindades pagãs

    A ideia de construir um museu nasceu há mais de cinco séculos na cabeça de alguns Papas. A palavra «museu» não existia e, menos ainda,…

  • Princípio da solidariedade

    O princípio da solidariedade é o último dos seis consagrados no Compêndio da Doutrina Social da Igreja (CDSI): ele sintetiza de algum modo os restantes,…

  • O Inferno, o Céu e a oração do rico

    O mês de novembro é dedicado aos mistérios do encontro ou desencontro com Deus. Pode ser um encontro feliz, inesgotável e exultante, ou pode ser…

  • Princípio da participação

    Cada um de nós faz parte de uma família; e, em maior ou menor grau, faz parte de uma ou mais associações, outras instituições, empresas,…