Opinião

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Violência doméstica

A violência adquire variadas formas e expressões, desde a violência coletiva, na expressão de guerras; auto-infligida, no suicídio; violência interpessoal, entre parceiros; e a violência psicológica, social, sexual ou física. No ano passado, no nosso país, foram contabilizados 55 homicídios de mulheres e 22 outros casos de tentativa de homicídio por parte dos respetivos companheiros, o que enfatiza a necessidade de alerta.
O desenvolvimento de um quadro típico de violência doméstica decorre predominantemente num ciclo padronizado e em fases distintas. Num primeiro momento, assiste-se a um aumento de tensão com pressões acumuladas no quotidiano, acompanhadas de injúrias, assédio moral ou ameças por parte do agressor, criando uma sensação de perigo eminente na vítima. Numa fase seguinte, ocorre o ataque violento em que o agressor agride física e/ou psicologicamente a vítima, aumentando a violência do ato em frequência e intensidade. Na fase de «lua-de-mel», o agressor tenta manipular a vítima envolvendo-a emocionalmente, procurando redimir-se das agressões com promessas de mudança pessoal no futuro.
Há sinais e comportamentos que vão sendo revelados que podem indicar a presença de uma personalidade violenta e possessiva. A perceção antecipatória desses sinais, por parte das potenciais vítimas, deve levar a uma ação imediata de pedido de ajuda a entidades e instituições públicas.
O debate público desta temática e a denúncia de eventuais episódios de violência doméstica a todos diz respeito. Não tem a visibilidade desejada, como o número de golos de uma equipa de futebol, ou um debate político, mas merece a reflexão pública própria de uma pandemia, quanto mais não seja pelo número de vítimas que provoca. A crueldade em que as vítimas se veem envolvidas leva-as em muitos casos a suportarem durante demasiado tempo tal situação, seja por falta de condições financeiras ou por receio de comprometer a vida familiar e o afeto a que anseiam.

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