Memória

Vultos da minha região – João Coelho da Silva

João Coelho Lopes da Silva

Na rubrica anterior, mencionei o nome de João Coelho da Silva, a propósito de um livro patrocinado por si, em 1984. Nessa altura, prometi trazer aqui o seu nome, titulando-o de homem bom, generoso, empreendedor e visionário.
Começando pela sua obra empresarial, concretizou o sonho da J. C. S. (fundada em 1927) e continuada por uma descendência que honra os pergaminhos de tão apaixonado ceramista, mantendo uma marca que ainda resiste aos atropelos que tem sofrido a indústria do barro vermelho, em geral, e da telha em particular. Como ceramista, foi dos primeiros portugueses a participar nas feiras e certames internacionais de cerâmica, tornando-se um expert na arte de produzir telha e descobrir os melhores filões de minério argiloso, nas “barreiras” próximas do Santuário de Nossa Senhora da Luz (Castanheira).
João Lopes Coelho da Silva nasceu no Juncal a 13 de março de 1913 e faleceu a 2 de dezembro de 2005. Recebeu homenagens e comendas de várias instituições nacionais e do estrangeiro. A comenda mais relevante foi-lhe atribuída por Mário Soares, presidente da República, que o distinguiu pelo mérito industrial.
Contudo, neste apontamento, recordo outros aspetos que o caracterizaram e notabilizaram, por estar ligado a tudo o que na sua terra se fez, no passado século XX. Começando pelo plano cultural, não patrocinou apenas livros. Foi colaborador do único jornal da sua terra, rubricando a maravilhosa e apreciada crónica “Conversas Informais”, a encabeçar a página 2 do mensário “Juncalense”, nascido em 1996.
Deve-se-lhe a fundação dos Bombeiros Voluntários do Juncal, em 1985. Este projeto datava de 1964, tendo lutado pela sua legalização durante duas décadas. Esteve na fundação de todas as instituições sociais da sua terra, desde o Centro de Bem-Estar Infantil à Fundação César Faria Tomás, dedicada à terceira idade.
Foi ainda presidente da junta de freguesia, onde existe um busto em sua honra.
Colaborou também com todas as instituições dos lugares periféricos.
Humilde, cristão praticante e benemérito, foi também um catequista exemplar. Gabava-se, com alguma graça, de ter sido catequista de alguns jovens que seriam mais tarde sacerdotes, como o Padre Morgado ou o Dr. Joaquim Ventura, juncalenses que catequizou. Dizia com a ternura que o caraterizava: “Eu ensinei o Pai-Nosso a alguns padres”.

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