50 anos passados

Afonso Luís
Bancário aposentado

De 24 para 25 de abril de 1974, parti de Turquel para Lisboa, já tarde na noite. Liguei o rádio e, às tantas, ouvi o Zeca Afonso cantar a sua “Grândola Vila Morena”. Longe estava eu de pensar que se tratava de uma senha fundamental para o avanço das tropas dos capitães de abril. O 50º aniversário desse movimento libertador parece-me ter sido comemorado com as honras devidas. Não só o povo, como também os partidos políticos desempenharam bem o seu papel nesta data importante. Pudemos assistir a uma lúcida exposição do Presidente da Assembleia da República e a uma “aula” de história sobre estes últimos cinquenta anos, por parte do Presidente da República. De permeio, há a registar intervenções muito interessantes e esclarecedoras de todos os partidos representados no parlamento, com a duração de dez a quinze minutos, cada. Todos os partidos, não é bem assim, pois houve uma exceção: o líder de um partido, representado por cinquenta deputados, apresentou-se sem discurso escrito, e disso começou por se vangloriar, ficando a dúvida sobre se foi menos consideração pelo auditório ou apenas uma jactância de autossuficiência em relação aos seus dotes oratórios. O certo é que nada disse de importante sobre a data, limitando-se à berraria e poses histriónicas habituais. Por razões de espaço, e para não abusar da paciência dos leitores, reproduzo apenas uma frase proferida por um dos líderes partidários: “O 25 de abril foi a mais bela revolução do século XX e foi nossa”. Não posso estar mais de acordo com esta afirmação, que completo com a transcrição de uma outra, de José Carlos de Vasconcelos, na revista Visão: “Não houve revolução pacífica e florida como a nossa. Resta-nos sermos dignos dela e continuar a combater pelos seus valores e princípios. O primeiro de todos, a Liberdade.”

Afonso Luís
Bancário aposentado

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

PRIMEIRA PÁGINA

PUBLICIDADE

Publicidade-donativos

NOTÍCIAS RECENTES

AGENDA CULTURAL

No data was found