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A “armadilha” da autenticidade

Escrevo este artigo no dia 1 de Julho de 2019. Inicia hoje mais uma semana, mais um mês e mais um semestre, o 2º semestre do ano. Um novo ciclo, uma renovada oportunidade para mudarmos algo para melhor nas nossas vidas. Bem, na verdade em cada dia que nasce, nasce uma oportunidade. Por vezes mudar algo no nosso comportamento, partilhar um ensinamento, tomar uma iniciativa diferente, ou assumirmo-nos perante questões importantes para a comunidade pode revelar-se difícil para nós próprios, para a nossa autoconsciência. É frequente observar que tendemos a fixar limites sobre o que podemos e conseguimos fazer, criar, inspirar. O autojulgamento pode levar-nos a pensar, em situações de crescimento que implicam tensão (como por exemplo falar em público), em questões como: “O que será que as pessoas estão neste momento a pensar de mim?” ou “Vão descobrir que não sou um profundo conhecedor da matéria?”. A consciência da nossa identidade pode limitar o nosso crescimento, ser o nosso maior bloqueio, e essa é uma “armadilha” a considerar. Sair da nossa zona de conforto, posicionarmo-nos de forma distinta pode fazer-nos sentir como “impostores”, como se estivéssemos a ser “inautênticos”. Importa contudo considerar que geralmente a sociedade é mais condescendente connosco do que nós próprios sobre o nosso “EU”. Quantos talentos submersos temos entre nós, ocultados por um manto de convenções sociais que se movem, silenciosamente, para que estejamos devidamente “catalogados”? Impossível saber, contudo conheço pessoalmente alguns exemplos; pessoas da vida real com muito potencial mas “amarradas” a um contexto que não lhes possibilita expandir limites como poderiam fazer. Eu próprio, em várias situações que me recordo. A mudança exige esforço, frequentemente algum risco, e novos hábitos. Mudar implica alargar a consciência de um EU que se transforma e abre perspectivas. Recordo a máxima de Heráclito: “Nada é permanente exceto a mudança”.

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