Opinião

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A porta de vidro de Alcobaça!

Recentemente a Paróquia de Alcobaça colocou uma porta de vidro na capela do Senhor dos Passos, no mosteiro. Pareceu-me ser um bom melhoramento, um excelente contributo para a valorização do património e do culto. Só que a entidade que gere o Mosteiro de Alcobaça não a aceita e sem fundamentar impôs a sua retirada sem diálogo. Por isso, pergunto, em que país vivemos? Porque persiste na nossa Administração Pública uma visão tão retrógrada e conservadora sobre o património? Será uma mera porta de vidro numa capela um atentado ao património cultural?
Pela Europa e em países com uma tradição de maior fruição do património, este está melhor conservado e está essencialmente vivo ao serviço das comunidades locais e dos seus visitantes.
Poucos conhecem o estado de abandono e de degradação generalizado do interior do Mosteiro, mas sobre isto a Direção-Geral do património Cultural (DGPC), entidade que gere o Mosteiro de Alcobaça, pouco ou nada faz. Isso sim, devia constituir uma preocupação, mas não, o que os sobressalta é uma porta de vidro.
Concordo com uma fruição mais ampla
do Mosteiro. Por isso, saúdo a realização de congressos/reuniões, outros eventos e a realização dos Doces Conventuais, que nos últimos anos tem vindo de forma gradual a perder espaço no interior do monumento, até chegar à altura em que provavelmente se vai procurar impossibilitar a sua realização naquele espaço.Com tanto “zelo e defesa” do património cultural, resta saber se a DGPC tem a mesma força do «quero posso e mando», para afrontar a população e impedir a montagem da tenda de carnaval do próximo ano. A ver vamos no que se metem!!!
Este não pode ser apenas um desassossego da Paróquia ou dos católicos de Alcobaça; é fundamentalmente uma falta de respeito pelo povo de Alcobaça, quando julgávamos que ideias e visões conservadoras faziam parte do passado.
Este é um bom motivo para os Alcobacenses se mobilizarem por uma causa justa! Se nos unirmos seguramente seremos mais respeitados no futuro e não deixaremos apenas nas mãos da paróquia a sua defesa.

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