Adelino Mota. “Pico os músicos e digo-lhes: cria uma cena nova e vais tocar no jazz do Valado”

Catarina Reis
Jornalista

Ainda se lembra da primeira vez que se ouviu jazz no Valado?
Foi em 1986 que propus à Biblioteca de Instrução e Recreio (BIR), da qual fazia parte da direção, fazermos um concerto de jazz. Foi uma epopeia, uma coisa totalmente inovadora, para a época, pensar-se em fazer um concerto de jazz numa aldeia. Precisávamos de 50 contos para o realizar, a BIR estava em obras e não tinha telhado e era importante fazermos atividades. Era um risco muito grande, mas compensou. Os músicos vieram, tocaram à luz das estrelas e a bilheteira cobriu o valor e mais qualquer coisa. Depois, a Biblioteca [BIR] fez no Valado durante uma série de anos o Mês do Turista, com vários concertos e é assim que aparece o jazz. Foi um sucesso e todos anos se repetiu. Até que, em 1992, fizeram-se dois concertos seguidos e chamaram-lhe um festival. Na altura, não participei. Em 1999, propus à direção realizar um festival de jazz e chamámos-lhe o segundo porque já tinha havido o primeiro em 92. No ano seguinte, candidatámo-nos a um apoio ao Ministério da Cultura e, desde então, há 22 anos, que o evento é apoiado, mas sempre com o mesmo espírito de missão de divulgação cultural e desta música.

Como é feita a seleção do cartaz?
Quase a antever quais são os músicos que vão ter discos, quem é que vai ter projetos novos. Falando com os músicos no ano anterior e saber o que vão fazer e o que vai sair de bom para o ano. Por exemplo, este ano, temos seis concertos na sala principal. O Carlos Azevedo, 19 de maio, é o primeiro concerto pós-lançamento de disco. O Pedro Moreira Sax Ensemble, a 21 de maio, também já tinha apalavrado com ele o ano passado, porque vi o projeto e era fantástico, pois fui vê-lo à Gulbenkian e sabia que ia ser um grande concerto e um grande disco. Mário Barreiros, um baterista que em Alcobaça é bastante conhecido por tocar nos “The Gift”, contudo também é um grande jazzista e fez um álbum fantástico, também vem fazer a apresentação de um disco novo, a 26 de maio. O André Murraças, que toca a 20 de maio e que não tem disco, mas é nazareno, começou na Big Band, é professor de saxofone e músico e tem todo o direito de vir ao festival. O João Capinha, que também começou na Big Band – foi aí que ele passou a ser um grande saxofonista – a 27 de maio também vai apresentar um disco. O Diogo Alexandre, um jovem baterista de Leiria, excelente, que passou do zero, dentro do jazz, para o estrelato, desafiei-o e ele estará cá a 28 de maio. Porque também incentivo à criação de novos projetos. «Pico» os músicos. Digo-lhes: cria uma cena nova e vais tocar no Festival de Jazz do Valado, e assim acontece.
Este são os concertos do bloco do festival, propriamente dito, porque há ainda os que chamamos de “Criação e Desenvolvimento de Públicos”, onde convido sempre alguém para tocar com a Big Band. Artistas conhecidos de outras músicas e não deste género, com objetivo de trazer pessoas que nunca ouviram jazz, mas que conhecem o tal artista e vêm, acabando num concerto de jazz, quase sem dar por ela, ficando surpreendidas e a gostar do que estão a ouvir. Este ano, temos como convidados a Lena D’Água, a 30 de abril, e o Mário Laginha Trio convida Maria João, a 7 de maio, ambos no cineteatro da Nazaré. Temos ainda atividades ao ar livre: um “Arraial Jazz”, no parque de merendas no Valado, a 1 de maio com DixieNaza Jazz Band e os Xaral’s Dixie; um desfile de DixieNaza na marginal da Nazaré, a 15 de maio; e ainda “i pru vi zar”, concerto comentado com entrada livre no Clube Recreativo Beneficente Valadense, a 22 de maio.

Saiba mais na edição impressa e digital de 14 de abril de 2022.

Catarina Reis
Jornalista

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